O produtor de medronho Carlos Fonseca, com 20 hectares de medronhal em Penacova, no interior do distrito de Coimbra, defendeu hoje que o país precisa de se organizar melhor para continuar a ser o maior produtor mundial deste fruto.
“Para nos afirmarmos na senda internacional temos de nos organizar melhor. Porque considero o medronho um recurso nacional, gostaria que o Governo tivesse mais sensibilidade para pegar neste recurso como uma referência e um símbolo nacional”, apelou Carlos Fonseca, durante uma visita do ministro da Agricultura e Pescas aos seus medronhais.
O empresário, biólogo de formação, recebeu ao meio da manhã a visita de José Manuel Fernandes e de outras entidades que colaboram com a sua empresa, como o Instituto Politécnico de Coimbra, e sustentou que o modelo de governança para esta fileira deve envolver empresários, decisores políticos e o conhecimento e investigação das entidades do sistema científico e tecnológico nacional, de ensino e inovação.
Salientando que é neste “ecossistema que gosta de trabalhar”, Carlos Fonseca entende que os bons exemplos devem ser replicados pelo território nacional como um modelo de desenvolvimento local e regional.
Criada há 13 anos, a Medronhalva detém 20 hectares de medronhal, dos quais 10 hectares de plantação e outros tantos de recuperação de medronhal espontâneo, que, paralelamente, agrega com outras atividades, como a apicultura, e compatibiliza com outras espécies florestais.
“Desde o início que fizemos as coisas com objetivos. Temos a primeira certificação nacional e mundial”, congratula-se Carlos Fonseca, que apostou em plantações de medronho ordenadas.
Durante a visita pelos medronhais, acompanhado o ministro da Agricultura e Pescas, defendeu também mais investigação e a definição de um plano específico, que não sobreponha estudos, para aprofundar as potencialidades daquele fruto.
Numa das explorações, na freguesia de São Pedro de Alva, no concelho de Penacova, foi apresentado o primeiro protótipo mundial para a apanha de medronho, que pode ser também usado noutros frutos.
Trata-se de um projeto desenvolvido pela empresa Fravizel-Equipamentos Metalomecânicos, o consórcio trabalha há cerca, sediada em Alcanede (Santarém), e do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência do Porto, no âmbito da agenda Transformar, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Segundo Eliseu Frazão, diretor-executivo da Fravizel, o consórcio trabalha há cerca de dois anos e meio no protótipo, que dentro de um ano estará disponível para ser comercializado.
Através da tecnologia e automação, o equipamento consegue, com ou sem operador, identificar e recolher os medronhos das plantas por sucção, embora para uma maior eficiência e rentabilidade as plantações devam obedecer a uma série de requisitos.
Aos jornalistas, o ministro afirmou que o Governo está a trabalhar no fortalecimento, reforço e ampliação deste setor para lhe dar escala e viabilidade económica.
“Esta é uma cultura que demonstra tudo o que temos afirmado relativamente à agricultura e floresta, que devem estar de mãos dadas e nada melhor do que um medronheiro para provar esta frase”, sustentou.
Na fileira do medronheiro, José Manuel Fernandes destacou a existência de “economia, competitividade, coesão territorial, proteção civil, sustentabilidade ambiental, inovação e investigação”.
“Queremos apostar nestes objetivos em simultâneo e fica provado que somos capazes, com excelentes empresas e universidades a trabalhar na inovação e investigação para que o medronho possa também ser utilizado na cosmética e até na saúde”, frisou.
O governante disse que tem apelado nas comissões de coordenação e desenvolvimento regionais (CCDR) para que os programas operacionais regionais apoiem projetos nesta área e apelou à utilização do Fundo Europeu para a Competitividade, que vai vigorar entre 2028 e 2034.













































