Roteiro para neutralidade carbónica é atentado à agricultura açoriana

Roteiro para neutralidade carbónica é atentado à agricultura açoriana

O deputado do PSD António Ventura considerou que o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 é um “atentado à agricultura açoriana” que poderá tornar “insustentável” produzir carne de bovino na região.

“É bem explícito que, até 2030, existe a indicação de abate de 400 mil bovinos em Portugal”, sinalizou o social-democrata, citado em nota de imprensa do PSD/Açores.

António Ventura esteve reunido com a direção da Associação Agrícola da Ilha Terceira e, posteriormente, declarou: “A agricultura açoriana, em especial a bovinicultura de carne e de leite, está em risco, pois o Governo está a promover o não consumo de carne de bovino, incentivando assim a importação. E isso vai prejudicar, e muito, os produtores açorianos”.

Os ministros da Agricultura e do Ambiente desvalorizaram na semana passada no parlamento a proposta de redução do gado bovino para combater as alterações climáticas, que PSD, CDS-PP e PCP consideram inaceitável e um ataque à agricultura.

Em dezembro de 2018, o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, apresentou o Roteiro para a Neutralidade Carbónica, que implica o país conseguir, até 2050, remover (por exemplo através da floresta) todas as emissões de gases com efeito de estufa que produzir.

O roteiro, em consulta pública até ao fim de fevereiro, incide especialmente em áreas como a energia, a indústria ou os transportes, mas também no setor agropecuário, com uma previsão de redução do efetivo bovino entre 25 e 50%.

Para o deputado do PSD António Ventura, num cenário a curto prazo poderá ser “insustentável” produzir carne de bovino nos Açores, “o que também vai atingir a produção de leite”.

“Sabemos das negociações do acordo MERCOSUL, que levará à entrada de muitas toneladas de carne de bovino, a preços muito baixos, na União Europeia”, referiu António Ventura, para quem “essa será a via por onde os Açores vão ser atingidos, pelo que se exige, desde logo, uma posição de força do Governo Regional”.

 

O artigo foi publicado originalmente em Açoriano Oriental.

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