O regadio nacional dispõe de uma carteira de 111 projetos, avaliada em cerca de 1,1 mil milhões de euros, destinada a modernizar infraestruturas hidroagrícolas, reduzir perdas de água e de energia e reforçar a capacidade de armazenamento e distribuição, segundo a Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG).
A carteira reúne intervenções de reabilitação, modernização e segurança em diferentes fases de maturidade, incluindo projetos já em condições de avançar para obra. Para a Federação, a aprovação da estratégia nacional “Água que Une” criou um enquadramento importante, mas tem agora de ser acompanhada de recursos financeiros e de um calendário de execução.
As estimativas da FENAREG apontam para necessidades de investimento no regadio coletivo de cerca de 2 mil milhões de euros até 2030. Segundo a Federação, uma década de atraso nos investimentos agrícolas associados à “Água que Une” poderá representar um custo superior a 5,4 mil milhões de euros para a economia.
“Portugal já conhece as necessidades e dispõe de projetos concretos. A questão que se coloca agora é saber quais avançam primeiro, como serão financiados e quando começam as obras. Adiar não representa uma poupança: prolonga as perdas de água e agrava os custos de manutenção”, afirma José Núncio, presidente da FENAREG.
As prioridades, o financiamento e o calendário destes investimentos estarão em debate nas XVII Jornadas FENAREG, Encontro Regadio 2026, que se realizam a 18 e 19 de novembro em Reguengos de Monsaraz, numa organização conjunta com a Câmara Municipal. O encontro reúne responsáveis políticos, entidades públicas, associações de regantes, agricultores e especialistas para discutir o modelo de financiamento, o lugar do regadio coletivo na PAC depois de 2027 e a articulação entre as entidades com responsabilidades na gestão da água. A FENAREG agrega 37 associados, que representam mais de 28 mil agricultores regantes.
Apesar de receber água suficiente para responder às suas necessidades, Portugal consegue armazenar apenas o equivalente a cerca de 20% das afluências anuais, refere a Federação. A irregularidade da precipitação, as diferenças entre regiões e a limitada capacidade de retenção tornam o país mais vulnerável aos períodos de seca. Para a FENAREG, a disponibilidade previsível de água deve ser encarada como uma condição da segurança alimentar: “A segurança alimentar começa muito antes de os produtos chegarem à indústria ou às prateleiras: começa na existência de água para produzir”, sublinha José Núncio.
A escolha de Reguengos de Monsaraz liga o debate nacional a investimentos em curso no território. O Circuito Hidráulico de Reguengos e os respetivos blocos representam um investimento superior a 88 milhões de euros e deverão beneficiar aproximadamente 10.273 hectares. O Bloco de Rega de Reguengos abrangerá cerca de 4.786 hectares, numa região marcada pela vinha, pelo olival e pela pequena propriedade.
O programa inclui o painel “Bloco de Rega de Reguengos: o futuro da região” e o debate “Água que Une – Da estratégia à execução: o novo ciclo de investimento no regadio português”. No dia 19 de novembro realiza-se uma visita técnica às obras do Circuito Hidráulico de Reguengos, à reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Lucefecit e a uma exploração agrícola da região.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































