O Eurodeputado do PSD Paulo do Nascimento Cabral sublinhou que “sem a entrada de jovens agricultores, o futuro do setor agrícola estará seriamente comprometido”, durante o debate “Decisões políticas nos últimos 15 anos: foi o objetivo da renovação geracional no setor agrícola alcançado?”, integrado na Conferência Ser Jovem Agricultor em Portugal, promovida pela Confederação dos Agricultores de Portugal, no âmbito da Feira Nacional de Agricultura, que decorreu em Santarém, e que também contou com as intervenções dos antigos ministros da agricultura Assunção Cristas, Luís Capoulas Santos e António Serrano. O evento ficou também marcado pela apresentação do estudo “Sucesso na instalação dos jovens agricultores nos últimos 15 anos”, pela realização do 13.º Concurso Nacional de Jovens Agricultores e pela entrega do prémio Melhor Jovem Agricultor 2026, que irá, a convite do Eurodeputado, participar no XII Congresso Europeu de Jovens Agricultores que decorrerá em Bruxelas e que conta com a coorganização do Eurodeputado.
Na sua intervenção, Paulo do Nascimento Cabral alertou para a dimensão do desafio demográfico que o setor enfrenta, ao afirmar que “o número de jovens agricultores tem vindo a diminuir na União Europeia, passando de cerca de 1,1 milhões em 2016 para 960 mil em 2023, sendo que os agricultores com 65 ou mais anos continuavam a gerir cerca de 2,9 milhões de explorações agrícolas em 2023”.
Relativamente à realidade nacional, Paulo do Nascimento Cabral considerou que “a situação em Portugal é ainda mais preocupante. Apenas 3,11% dos agricultores portugueses têm menos de 35 anos, e 3,7% menos de 40 anos, além de que a idade média dos agricultores em Portugal é de 65 anos. Embora a média europeia seja ligeiramente superior, continua a ser insuficiente: em 2023, 11,9% dos agricultores europeus tinham menos de 40 anos. Nos Açores, os números são felizmente mais animadores: 16%. Isto só se consegue porque temos um governo e uma sociedade que valoriza e reconhece o setor agrícola. Portugal e os portugueses têm de uma vez por todas aceitar com orgulho que têm num setor essencial para a economia, mas também para as nossas vidas. A produção de bens públicos, como os alimentos, é essencial para o nosso país e é uma herança que não podemos desperdiçar nem negligenciar. Os jovens sentir-se-ão atraídos para o setor agrícola se este for valorizado pela sociedade. Caso contrário, serão os próprios pais a referir que não querem que esta vida para os seus filhos”.
Segundo o parlamentar europeu, “alcançar a meta definida pela Comissão Europeia de ter 24% dos agricultores com menos de 40 anos até 2040 exige uma resposta firme aos obstáculos há muito identificados, e que foram realçados no estudo apresentado. Acesso ao crédito é uma limitação apresentada quer no estudo nacional, quer na estratégia europeia recentemente lançada. Precisamos de crédito com garantias públicas ajustadas ao risco, de majorações dos apoios ao investimento, de bonificações dos juros, de um mecanismo europeu de resseguro agrícola, de mais formação, de incentivos à integração em cooperativas, de calendarização dos pagamentos, processos de licenciamento mais céleres, de previsibilidade legislativa, de simplificação das regras e redução das obrigações”.
Paulo do Nascimento Cabral destacou igualmente a importância de “dar escala ao setor agrícola, pois uma larga percentagem dos jovens agricultores aposta na venda direta. Ora menos escala, reduz o poder negocial, logo a remuneração, e limita os canais de escoamento”.
“Precisamos também de territórios rurais mais atrativos, digitalmente conectados, com acesso a ferramentas de agricultura de precisão, com acesso aos recursos hídricos. Precisamos de valorizar a profissão agrícola, diversificar as fontes de rendimento das explorações e promover o intercâmbio entre jovens agricultores. Por isso, saúdo as iniciativas da Comissão Europeia, nomeadamente a criação de um programa Erasmus para Jovens Empreendedores, o reforço dos serviços de substituição nas explorações agrícolas e o lançamento de um programa de Embaixadores da Juventude Rural, destinado a envolver os jovens nos debates sobre o futuro da agricultura e do mundo rural”, afirmou o Deputado ao Parlamento Europeu.
Paulo do Nascimento Cabral anunciou ainda que “irá desenvolver um roteiro nacional dedicado às escolas com formação agrícola, com o objetivo de contactar diretamente com alunos, docentes e responsáveis das instituições de ensino, identificar desafios e oportunidades e aproximar os jovens das oportunidades existentes no setor. A qualificação e a valorização do ensino agrícola serão determinantes para que possamos garantir que haja uma verdadeira renovação geracional no setor”
À margem da sua intervenção, Paulo do Nascimento Cabral lamentou que “uma prática inédita iniciada pelo Partido Socialista de termos medidas tomadas pelo Governo de Portugal serem apenas continentais. Felizmente que a mais recente já vai ser corrigida fruto de grande pressão do Governo dos Açores e da Federação Agrícola dos Açores. Espero que agora se erradique de vez este tipo de discriminação, pois se querem que os Açores passem a ser considerados um país ou independentes, pois então que nos digam que teremos de ver soluções. Andamos nós a pedir à União Europeia o fim da centralização, o respeito pelas suas regiões e Estados-Membros menos desenvolvidos, e o respeito pela subsidiariedade, e depois, internamente fazemos o contrário? Estou certo que não se voltará a repetir. Mas tenho de lembrar que cada euro que nos chegar do Governo da República do PSD é um euro a mais sobre os que nunca chegaram do último governo socialista da República”.
Fonte: Gabinete do Eurodeputado Paulo do Nascimento Cabral














































