Nos últimos três meses, vários territórios europeus registaram três ondas de calor sem precedentes, tanto pela sua ocorrência precoce como pelos recordes de temperatura atingidos. Estas condições estão a afetar gravemente os agricultores, os animais e as culturas.
A Coordenadora Europeia Via Campesina (ECVC) solicita que o Conselho AGRIPESCA, na sua reunião de 13 de julho de 2026, inclua na agenda a adoção de medidas para enfrentar esta situação, que previsivelmente se agravará nos próximos anos.
Os relatórios de campo recolhidos pela ECVC refletem uma situação preocupante, com um impacto psicológico e económico significativo. Muitos agricultores veem o trabalho de um ano inteiro comprometido ou perdido. Abaixo apresentam-se alguns exemplos:
- Culturas e Horticultura: Os pequenos frutos secam no campo, assim como as árvores jovens, mesmo com a utilização de mulching (cobertura do solo) e rega. As culturas extensivas de sequeiro frequentemente não atingem a maturação dos grãos e as plantas queimam-se no campo. Na horticultura, os produtos de inverno não sobrevivem e os de verão param o seu crescimento.
- Pecuária e Bem-Estar Animal: O stresse animal é evidente, registando-se uma elevada mortalidade, especialmente em aves de capoeira. É difícil fornecer água fresca, as doenças aumentam, a gestão das pastagens torna-se mais complexa e os rendimentos de leite e ovos são muito baixos.
- Impacto Operacional e Comercial: Inúmeros incêndios já devastam grandes extensões de território. A isto somam-se as dificuldades do pessoal — apesar dos ajustes nos horários de trabalho — e a maior pressão sobre os agricultores, que têm de compensar a redução das horas de trabalho. Além disso, as vendas diminuem devido ao encerramento de mercados ao ar livre ou à menor afluência de público.
Medidas urgentes a curto prazo
A ECVC exige a implementação de medidas concretas a curto prazo para garantir a sobrevivência das explorações agrícolas:
- Ativar a reserva de crise da Europa para apoiar quem perdeu grande parte dos seus rendimentos, especialmente nas explorações mais pequenas.
Reformas estruturais a longo prazo
A organização solicita também reformas substanciais nas políticas europeias para facilitar a adaptação às alterações climáticas e a sua mitigação:
- Uma PAC resiliente e agroecológica: Uma PAC que apoie a transição para um modelo social resiliente e agroecológico, a par de uma gestão sustentável do território e dos recursos naturais. Deve ainda facilitar o acesso dos jovens a estes modelos através da regulação dos mercados, da produção e de preços que cubram os custos de produção.
- Redistribuição justa das ajudas: Redesenhar a distribuição dos apoios, estabelecendo um teto máximo de 60 000 euros por agricultor ativo, aplicando medidas de degressividade e priorizando as explorações mais pequenas, as primeiras hipóteses de hectares e os primeiros animais.
- Foco ambiental: Priorizar as medidas ambientais e apoiar as explorações que já operam de forma responsável.
- Estratégia para a pecuária extensiva: Desenvolver uma estratégia pecuária que promova a pastorícia extensiva, as raças rústicas e o abate local, fundamentais para prevenir incêndios e gerir de forma sustentável as terras, as montanhas e as florestas.
- Seguros públicos: Implementar sistemas de seguros públicos eficazes, dado que os seguros privados não cobrem muitos pequenos produtores.
«Os líderes da União Europeia decidiram dar por terminados o Pacto Ecológico Verde e a Estratégia “Do Prado ao Prato”, apesar de os seus objetivos deverem ser alcançados em 2030. Estas decisões são irresponsáveis, já que a crise climática ameaça o abastecimento de alimentos. Não podemos dar-nos ao luxo de abandonar as metas de uma redução drástica das emissões de gases de efeito estufa.»
Traduzido com auxílio de IA.
Fonte: ECVC












































