As autoridades moçambicanas apontaram hoje os operadores florestais como “melhores aliados” nos esforços para travar a exploração desregrada e ilegal de madeira, pedindo que denunciem práticas ilícitas e promovam a transparência no setor.
“Vocês queixam-se da produção desregrada de carvão, da serragem manual, do corte de estacas de mecrusse abaixo do diâmetro legal. Têm toda a razão, mas o Estado não pode estar dentro de cada hectare de floresta. Eu acredito que vocês podem ser os nossos melhores aliados”, disse o diretor nacional de Florestas e Fauna Bravia, Imede Falume, durante o lançamento do plano estratégico da Federação Moçambicana de Operadores de Madeira (Fedemoma) para o decénio 2026-2035, em Maputo.
O diretor nacional de florestas pediu um maior envolvimento dos operadores no combate à exploração ilegal, defendendo que o setor deve assumir um papel ativo na denúncia de práticas ilícitas e na promoção da transparência.
“Imaginem uma Fedemoma que forma os seus próprios fiscais ajuramentados, que denuncia formalmente os infratores, que publica no seu portal uma lista mensal de operadores ilegais”, disse Imede Falume, sublinhando que a formalização e o cumprimento da lei são essenciais para valorizar os operadores que atuam legalmente.
O responsável apontou ainda para a necessidade de união entre os membros do setor para enfrentar a descapitalização, considerando que a fragmentação limita a capacidade de negociação, acesso ao crédito e certificação da madeira.
“Cada um de vocês, sozinho, é pequeno para negociar preços, para obter crédito, para certificar a madeira. Juntos, podem ser grandes”, afirmou o responsável, referindo que o plano estratégico lançado hoje pela federação de operadores de madeira prevê medidas como a criação de entrepostos comerciais, padronização de produtos e definição de preços de referência.
Falume destacou igualmente a importância da reconexão com as comunidades locais, pedindo ações de responsabilidade social e à criação de comités mistos com líderes comunitários.
“Uma comunidade que beneficia da floresta, defende-a”, declarou, referindo que o envolvimento das populações pode ser determinante para a preservação dos recursos naturais.
O presidente da Fedemoma, Jorge Chacate, afirmou que o plano estratégico resulta de um processo de reorganização e capacitação interna, iniciado com projetos-piloto em Manica, Sofala e Niassa, posteriormente alargados a Cabo Delgado, cujo objetivo é estruturar o setor e reforçar a representação dos operadores, incluindo a criação de associações provinciais e o fortalecimento do capital humano.
“Queremos romper com o ciclo de exportação de matéria-prima em bruto”, disse, acrescentando que o plano prevê ainda a criação de três centros de formação tecnológica nas regiões sul, centro e norte do país, visando capacitar operadores para atividades industriais como carpintaria, mobiliário e transformação de madeira.
Já o representante da Confederação das Associações Económicas (CTA), Amâncio Gume, defendeu que o setor florestal deve evoluir para um modelo integrado, orientado para a criação de valor, industrialização e sustentabilidade.
“O setor florestal deve evoluir de um modelo predominantemente extrativo para um modelo integrado”, afirmou, sublinhando que Moçambique dispõe de um potencial significativo ainda subaproveitado.
O responsável destacou também a necessidade de impulsionar práticas de gestão sustentável, fomentar a formalização do setor e atrair investimento privado, através de um ambiente de negócios mais previsível e transparente.
Entre os principais desafios do setor florestal, a CTA apontou o reforço da fiscalização, o combate à exploração ilegal, a simplificação de procedimentos administrativos, o acesso ao financiamento e o investimento em infraestruturas.















































