A Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) moçambicana avançou hoje que tem um défice de 135 milhões de dólares (116 milhões de euros) para garantir as atividades, pedindo o envolvimento de todos para assegurar o investimento.
“As projeções indicam que temos um fosso em termos de investimento de cerca de 100 milhões de dólares a 135 milhões de dólares”, disse o diretor-geral da ANAC, Pejul Calenga, admitindo que é preciso “fazer mais”.
O diretor-geral da ANAC falava em Maputo na Gala dos 15 anos da instituição, tendo referido que conseguiram estabilizar a população animal nacionalmente, sendo um facto a consolidação da biodiversidade no país.
“Estamos a dizer que olhamos para o futuro com alguma convicção e esperamos, a breve trecho, naquilo que também foram as nossas projeções até 2040 conseguirmos reduzir o máximo possível daquilo que é o fosso de financiamento”, referiu Pejul, apontando, entre outras ferramentas estratégicas “a inovação da troca de dívida por natureza” – que significa a conversão da contribuição de parceiros ou países irmãos e investir na biodiversidade.
Moçambique tem atualmente cerca de 21.700 elefantes, segundo a mais recente atualização da ANAC, com o diretor-geral a considerar o número ideal para “utilizar esta mesma biodiversidade para servir o desenvolvimento da nação”.
“A ANAC não consegue fazer isso sozinho (…) olhamos obviamente para a questão da capacidade institucional e o engajamento das Comunidades”, destacou o diretor-geral, adicionando o pilar do crescimento azul ou a sustentabilidade da utilização dos recursos marinhos através do capital que está nas áreas de conservação marinha.
Pejul Calenga acrescentou ainda que a ANAC espera aproveitar o potencial económico-financeiro que possui para criar cada vez melhores condições, assegurando infraestruturas básicas e específicas para o desenvolvimento da economia de vida selvagem.
O ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas moçambicano, Roberto Albino, destacou o papel da ANAC na conservação do território nacional, sobretudo na fiscalização da vida animal existente e na redução da caça furtiva, dado que, considerou, é justificado pelo crescimento do número de animais no país.
O governante convidou o setor privado a investir na área de conservação para garantir o desenvolvimento do setor, e destacou o apoio do Governo com reformas para facilitar a atividade da ANAC e outros intervenientes.
“O futuro exige uma nova geração de parcerias de longo prazo (…) É urgente transitar de projetos isolados para o reforço institucional sustentável (…). Assim, ao setor privado reiteramos o convite de uma aposta séria para o investimento na economia da vida selvagem”, referiu Mito Albino.
O ministro reconheceu em abril o problema do superpovoamento de elefantes na África Austral e apelou a uma intervenção regional para equilibrar a população destes animais.
Os últimos dados disponíveis, no relatório do INE, Moçambique estimava, em 2018, uma população de 9.114 elefantes, – agora 21.700 -, e 64.800 búfalos, entre dezenas de espécies de grande porte.















































