Moçambique e Itália vão reforçar a cooperação nas áreas das alterações climáticas, gestão sustentável das florestas, recursos hídricos, energias renováveis, segundo um acordo assinado hoje, com aquele país europeu a ajudar no alcance dos objetivos de desenvolvimento sustentável.
O embaixador italiano, Gabriele Annis, disse, após a assinatura do memorando, em Maputo, na reunião nacional de sementes e do ‘workshop’ sobre sistemas agroflorestais em Moçambique, que o acordo estabelece “um quadro jurídico e político” que vai “instaurar uma cooperação muito profícua e muito intensa” entre os dois países.
O acordo foi assinado entre os ministérios da Agricultura, Ambiente e Pescas moçambicano e o do Ambiente e da Segurança Energética italiano, visando estabelecer um quadro de cooperação de cinco anos alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e com os compromissos internacionais assumidos pelos dois países em matéria ambiental, conforme o memorando, a que a Lusa teve acesso.
No documento prevê-se, entre outras iniciativas, o desenvolvimento de medidas de mitigação e adaptação às alterações climáticas, a promoção da gestão sustentável dos solos e das florestas, a transferência de tecnologias no setor das energias renováveis, além do reforço das capacidades institucionais e a mobilização conjunta de financiamento junto de organizações internacionais.
Para Gabriele Annis, a assinatura do acordo reforça o compromisso comum entre as partes e marca o início de uma nova fase de cooperação bilateral entre Itália e Moçambique no domínio do desenvolvimento sustentável.
“Mais do que um ato formal, representa a vontade partilhada de transformar uma visão estratégica em iniciativas concretas, mobilizando instituições, comunidade científica, setor privado e sociedade civil, para enfrentar conjuntamente os desafios das alterações climáticas da conservação da biodiversidade e da gestão sustentável dos recursos naturais”, referiu.
Para acompanhar a implementação do acordo, os dois países deverão criar, em 30 dias, um comité misto responsável pela coordenação, orçamentação e supervisão das atividades e projetos a desenvolver no âmbito da parceria, lê-se no memorando.
Ainda hoje, Moçambique lançou a Estratégia Nacional para os Sistemas Agroflorestais que, segundo o diplomata italiano, representa uma das primeiras expressões concretas da visão partilhada sobre o desenvolvimento sustentável, traduzindo os compromissos políticos assumidos pelos dois governos em ações capazes de gerar benefícios duradouros para as comunidades, empresas e os ecossistemas de Moçambique.
“Ela fornece um quadro de referência comum para orientar políticas públicas, investimentos e ações concretas, promovendo sistemas agrícolas mais sustentáveis, produtivos e resilientes”, considerou.
Já o ministro moçambicano disse que o sistema agroflorestal passa a constituir um dos pilares importantes da transformação agrária em Moçambique “rumo à produção sustentável de alimentos e à conservação”, pedindo uma combinação entre a produção e o plantio de árvores e a sensibilização de camponeses face à desflorestação.
“É uma abordagem urgente que deve ser adotada por todos. Se queremos ter o nosso sistema agrário resiliente competitivo e sustentável temos de combinar a produção de alimentos com o plantio de árvores, essa que é a mensagem que queremos deixar neste pódio”, disse Roberto Albino.
Segundo dados divulgados em dezembro de 2025 pela Organização Não-Governamental Forest Stewardship Council, Moçambique perde anualmente 500 milhões de dólares (424,3 milhões de euros) em práticas “insustentáveis” no setor florestal, como a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima.














































