O trabalho de limpeza de terrenos para prevenção de incêndios tem sido hercúleo e em contrarrelógio, disse a presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega que pediu bom senso e o prolongamento do prazo que termina no domingo.
“O trabalho tem sido hercúleo e em contrarrelógio. Apesar dos esforços, sabemos bem que o prazo não vai ser cumprido porque, seja os proprietários seja mesmo os municípios, é evidente que têm dificuldades em acorrer a todos os locais e em tempo útil”, afirmou hoje Fátima Fernandes à agência Lusa.
Termina no domingo o prazo para a limpeza dos terrenos na envolvente de edifícios e aglomerados populacionais, no âmbito das medidas de prevenção de fogos rurais. Nos concelhos abrangidos por declaração de calamidade, devido às tempestades de janeiro e fevereiro, o prazo foi prolongado até 30 de junho.
A também presidente da Câmara de Montalegre, no distrito de Vila Real, alertou para as dificuldades sentidas na execução deste trabalho, acrescidas num ano de chuva intensa e, agora, calor que potenciaram o crescimento dos matos.
“Desde logo os privados, porque o poder financeiro e económico que têm para fazer este trabalho é diminuto. Estamos a falar de uma população envelhecida e, portanto, a dificuldade é acrescida”, salientou Fátima Fernandes.
A autarca referiu que muitos idosos não têm os filhos por perto para ajudar nessas limpezas e têm que fazer a contratualização de empresas, o que é dispendioso.
Apontou também às dificuldades dos municípios que têm a obrigação de fazer a gestão das faixas de combustível, realçando o custo que “acarreta para os orçamentos municipais”.
“Há uma certa dificuldade em cumprir a limpeza das faixas de combustível e, portanto, andamos todos aqui a trabalhar contrarrelógio, porque a área é muito grande”, frisou.
A Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT) abrange os concelhos de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.
Fátima Fernandes lembrou que, nestes territórios, havia práticas agrícolas que deixaram de ser feitas devido também ao decréscimo da população e ao envelhecimento.
“E, portanto, tudo isto de algum modo vem colocar aqui uma pressão maior”, considerou.
No terreno, segundo a autarca, têm sido realizadas ações pedagógicas para alertar os proprietários para a obrigatoriedade de proceder à limpeza dos terrenos. A partir de segunda-feira, a GNR arranca com as operações de fiscalização.
Precisamente pelas condições meteorológicas sentidas este ano que dificultaram a execução das limpezas, a autarca disse ainda aguardar que “haja bom senso” e “alguma prorrogação” do prazo.
Já na União de Freguesias de Mouçós e Lamares, no concelho de Vila Real, inserido na Comunidade Intermunicipal do Douro, o presidente da junta mostrou-se preocupado com o ponto de situação da limpeza dos terrenos, considerando que grande parte não está limpa e por vários motivos.
“Nós não podemos continuar a culpar só os proprietários. Os proprietários são os donos dos terrenos só que também tem que haver, da parte do Estado, apoios para esta limpeza”, afirmou Hélder Afonso, que lembrou que os apoios que existem estão circunscritos aos concelhos abrangidos pela calamidade.
A freguesia tem 26 aldeias e uma grande área florestal, maioritariamente privada.
Para o autarca, só seria possível uma “limpeza verdadeira”, que fosse ao encontro das necessidades da população e da segurança, se houvesse “um apoio monetário”.
Para além das despesas elevadas com os trabalhos, Hélder Afonso apontou ainda outros constrangimentos sentidos neste território, como o relevo acidentado, a elevada carga combustível existente, a redução dos rebanhos, a falta de rendimento da floresta e as baixas reformas.
O autarca defendeu um “olhar diferente para a floresta” da parte do Governo, das câmaras e que envolva as juntas, que são quem conhece o terreno, os proprietários, as necessidades e os riscos.















































