No Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática, 15 de julho, os embaixadores do Pacto em Portugal apelam à ANMP para que as câmaras municipais se assumam como “a primeira linha de proteção das populações” dos efeitos dos incêndios. “Os incêndios provocam crises respiratórias, agravam doenças cardiovasculares e deixam marcas profundas na saúde mental das populações”. Sábado, 18 de julho, será apresentado em Matosinhos o “Guia Incêndios Florestais e Saúde Humana” do Conselho Português para a Saúde e Ambiente.
Os embaixadores do Pacto Climático Europeu apelam à Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) para mobilizar as câmaras municipais neste verão a tomarem medidas que protejam as populações dos efeitos dos incêndios na saúde. Entre as cinco medidas propostas, incluem-se a identificação e seguimento das “populações mais vulneráveis” e a integração nos planos municipais de saúde de “protocolos claros para exposição ao fumo, evacuação de doentes crónicos e apoio psicossocial pós-incêndio” (ver Apelo em anexo).
O documento foi dirigido ao presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Pedro Pimpão, para assinalar amanhã, 15 de julho, o Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática. A apresentação oficial do apelo será feita no sábado, 18 de julho, em Matosinhos, na sessão pública “Saúde e Clima: do Apelo à Ação”, organizada pelo Pacto Climático Europeu, a Comunidade Lidera e a Câmara Municipal de Matosinhos. A presidente da Câmara, Luísa Salgueiro, que presidiu à ANMP no mandato anterior, será uma das oradoras (ver programa da sessão pública “Fenómenos extremos e saúde” em anexo).
“Os municípios são a primeira linha de proteção das populações”, afirma Luísa Barateiro, embaixadora do Pacto Climático Europeu e especialista em políticas para o desenvolvimento sustentável. “Portugal é um dos países europeus mais vulneráveis aos incêndios florestais e, com as alterações climáticas a intensificarem os períodos de seca e as ondas de calor, a intervenção dos municípios é crucial para defender os portugueses de uma ameaça estrutural ao seu território, às comunidades e à saúde pública”.
Apelo à ANMP com cinco pontos
O apelo dirigido aos municípios tem cinco pontos: “Avaliem o risco com dados”, “Reforcem os planos de saúde pública”, “Invistam na prevenção comunitária”, “Coordenem-se com o sistema de Saúde” e “Candidatem-se a financiamento”. Durante a sessão, será também divulgado o “Guia para os Incêndios Florestais e Saúde Humana” do Conselho Português para a Saúde e Ambiente (ver Guia em anexo).
“No Dia Europeu das Vítimas da Crise Climática é fundamental sensibilizar autarcas e a sociedade civil para a importância da prevenção, do ordenamento do território e da articulação intersectorial para proteger a saúde do impacto das alterações climáticas”, afirma José Chen, embaixador do Pacto Climático Europeu e médico especialista em Saúde Pública. “Os impactos dos incêndios vão muito além da destruição paisagística: o fumo provoca crises respiratórias agudas, agrava doenças cardiovasculares, contamina recursos hídricos e deixa marcas profundas na saúde mental das populações expostas, em particular nas comunidades rurais e em grupos mais vulneráveis”.
No seu apelo, os embaixadores do Pacto Climático Europeu reconhecem o “papel insubstituível” das autarquias na construção de territórios mais resilientes. Afirmam que é nos municípios que se tomam as principais decisões de prevenção e de proteção das populações, sublinhando que “o investimento tem o maior retorno, humano, social e económico” ao nível municipal.
“A adaptação climática em Portugal está demasiado lenta, desarticulada e, sobretudo, profundamente desigual: as autarquias têm de assumir um papel de maior responsabilidade e protagonismo na adaptação dos territórios e dos serviços públicos à realidade dos incêndios que, todos os anos, assola o país”, afirma Luísa Barateiro.
Estas iniciativas inserem-se nas comemorações oficiais na União Europeia do Dia das Vítimas da Crise Climática Mundial, que se assinala a 15 de julho. Esta data instituída pelo Parlamento Europeu decorre este ano sob o lema “Construir Resiliência para Proteger Pessoas e Comunidades”. A homenagem às vítimas do aquecimento global associa-se à promoção de medidas de prevenção e de resposta aos impactos das alterações climáticas.
Fonte: Pacto Climático Europeu














































