O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) considera que o relançamento do projeto da barragem de Girabolhos, no rio Mondego, é um “erro estratégico, com impacto ecológico significativo e utilidade prática limitada”.
O concurso público para a construção e concessão do empreendimento vai ser lançado hoje pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em Gouveia, no distrito da Guarda
“O relançamento do projeto é um erro estratégico, com impacto ecológico significativo e utilidade prática limitada, desviando recursos de soluções mais eficazes e sustentáveis para gerir o território e prevenir cheias”, sustenta o GEOTA em comunicado enviado à agência Lusa.
Além disso, “é ilegal” porque “não foi realizada a devida e obrigatória avaliação de impacte ambiental”.
“Girabolhos é uma falsa solução para problemas reais e não parece ser a melhor solução a nível de gestão de bacia. Não protege eficazmente contra cheias, e não é necessária para o abastecimento de água nem para a produção elétrica”, afirma Ana Catarina Miranda, coordenadora do Programa Rios Livres do GEOTA, citada no documento.
Segundo a responsável, “em vez de investir numa grande obra de elevado impacto e baixa eficácia, o país deve apostar em soluções baseadas na natureza, na recuperação dos rios e numa verdadeira gestão integrada da bacia do Mondego”.
A Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA) alerta ainda para “os riscos de se tomar uma decisão desta escala sem uma avaliação independente, atualizada e transparente das alternativas disponíveis”.
O GEOTA recorda que a barragem de Girabolhos, no concelho de Seia, foi concebida na segunda metade do século XX, no âmbito do projeto hidráulico do Mondego, e tem regressado “ciclicamente ao debate político”.
“Foi incluída no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroelétrico (PNBEPH) em 2007, mas em 2016, o projeto foi cancelado, por não ser considerado rentável nem prioritário”.
Em 2026 volta a ser promovida como “projeto estratégico, sem justificação fundamentada, a pretexto do controlo das cheias do Mondego”, lamenta o movimento ambientalista.
Uma “insistência”, que para o GEOTA, “é injustificada, dado que Girabolhos não traz vantagens significativas para o abastecimento de água na região, nem é rentável para produção de eletricidade”.
“O histórico de decisões demonstra esta falta de viabilidade; se o projeto avançar será mais um buraco nas contas públicas”, avisa a ONGA.
O empreendimento a construir no Alto Mondego, numa área que abrange os municípios de Fornos de Algodres, Gouveia e Seia, no distrito da Guarda, Mangualde e Nelas, no distrito de Viseu, “não resolve o problema das cheias do Baixo Mondego”, sustenta.
“As cheias nesta região não resultam da falta de barragens, mas da má gestão do território: desflorestação das cabeceiras deliberada ou por força dos incêndios, assoreamento do rio, ocupação de leitos de cheia, impermeabilização dos solos, destruição de zonas húmidas”.
Girabolhos não terá capacidade para “amortecer de forma eficaz episódios de chuva intensa, nem é essa a missão principal das barragens”, acrescenta o GEOTA.
Outro argumento contra barragem é que a sua construção vai ter impactos ecológicos e territoriais “muito elevados”.
O empreendimento implicará “a submersão de territórios rurais e ecossistemas ribeirinhos (entre os melhores do Mondego), afetando também a paisagem, os modos de vida, a agricultura e o ecoturismo, e contrariando as metas de restauro da conectividade fluvial”.
O GEOTA apela, por isso, “a que não se tomem decisões irreversíveis sem uma análise séria de alternativas mais seguras, rápidas e com menor impacto ambiental, em linha com os compromissos de proteção ambiental e defesa das populações do Mondego. E, já agora, que se cumpra a lei”.














































