Estudo avalia eficácia do uso controlado de antibióticos nas terapias em vacas secas

Estudo avalia eficácia do uso controlado de antibióticos nas terapias em vacas secas

Um dos programas de controlo de mastites mais importante é a terapia antibiótica em vacas secas (dry cow theraphy – DCT), cuja atualização das recomendações é uma questão recorrente devido ao problema global da resistência antimicrobiana. Agora, um estudo finlandês veio avaliar esta terapia antibiótica e as práticas de secagem dos produtores do país.

Há décadas que a Finlândia, bem como outros países nórdicos, tem vindo a implementar uma terapia antibiótica seletiva em vacas secas.

O estudo Antibiotic dry cow therapy, somatic cell count, and milk production: Retrospective analysis of the associations in dairy herd recording data using multilevel growth models, que vai ser publicado na edição de julho de 2020 da revista Preventive Veterinary Medicine, analisou as informações do Dairy Herd Improvement de 241 produtores finlandeses que participaram num inquérito sobre as suas práticas de secagem.

O objetivo era avaliar as associações a nível do rebanho entre a contagem de células somáticas do leite (SCC), a produção de leite e várias abordagens de terapia antimicrobiana em vacas secas, tanto a nível transversal, em 2016, como a nível longitudinal, em 2012-2016.

As três abordagens no estudo foram “seletivas”, “abrangentes” e “sem utilização de terapia em vacas secas”.

Um objetivo adicional era avaliar se ocorreram alterações dinâmicas na contagem média de células somáticas do leite da população e na produção anual de leite ao longo de cinco anos e se estas potenciais alterações diferiram entre as diferentes abordagens da terapia de vacas secas.

O método para as análises longitudinais foi a modelização do crescimento com modelos de coeficientes aleatórios. As diferenças na produção de SCC e de leite entre explorações com diferentes abordagens de terapia em vacas secas foram menores. Independentemente da abordagem terapêutica da exploração agrícola, a produção anual de leite aumentou ao longo dos anos, enquanto a contagem média de células somáticas foi razoavelmente constante. A variabilidade na produção de SCC e de leite em todos os grupos de terapia de vacas secas foi baixa entre anos, e a maior parte da variabilidade foi entre explorações agrícolas.

Em comparação com outros sistemas de ordenha, as explorações com sistema de ordenha automática (AMS) tinham SCC mais elevados e, em 2016, uma maior produção de leite.

Os resultados do estudo sugerem que é possível manter um SCC médio baixo e uma boa produção de leite quando se utiliza terapia seletiva em vacas secas e seguindo as orientações para uma utilização prudente de antimicrobianos. Os SCC médios e a produção de leite variaram entre os rebanhos, sugerindo que os conselhos sobre as práticas de DCT devem ser específicos para as manadas.

Os investigadores destacam, contudo, que a principal limitação do estudo é o desequilíbrio dos grupos de DCT, mas reiteram que tal reflete simplesmente a produção leiteira finlandesa. Uma proporção consideravelmente mais elevada de explorações agrícolas na Finlândia utiliza DCT seletiva do que a DCT global ou nenhuma DCT.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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