Decifrado o genoma da ervilha

Decifrado o genoma da ervilha

Uma equipa internacional de cientistas decifrou o genoma da ervilha, um feito que abre perspectivas para a alimentação no planeta.

Para sequenciar o genoma da leguminosa foi preciso ordenar milhares de milhões de cortes de sequências de ADN (material genético). Os resultados do trabalho foram publicados esta semana na revista científica Nature Genetics.

O genoma de uma planta foi sequenciado pela primeira vez em 2000. Mais recentemente, em 2018, foi sequenciado o genoma do trigo.

Justificando a complexidade da tarefa de descodificar o genoma da ervilha (Pisum sativum), nas suas variantes antigas e industriais modernas, os cientistas assinalam que há muitas pequenas sequências de ADN que se repetem.

A ervilha foi o modelo genético original de Gregor Mendel, um monge agostiniano considerado o “pai da genética”. Em 1865, comunicou na Sociedade de História Natural de Brno (hoje na República Checa) os resultados das suas experiências de uma década de cruzamentos de ervilhas no Mosteiro de São Tomás, para estudar a transmissão hereditária de determinadas características. Com a morte de Gregor Mendel a 6 de Janeiro de 1884, os seus estudos ficaram adormecidos até ao início do século XX, quando foram redescobertos por um grupo de botânicos.

“A ervilha tem sido estudada como um modelo genético desde o século XVIII; a análise da hereditariedade das suas diferentes morfologias levou Gregor Mendel a descobrir as leis da genética”, recorda agora a equipa no artigo na Nature Genetics.

Segundo a geneticista Judith Burstin, do Instituto Nacional de Investigação Agronómica de França e da Universidade de Borgonha, que participou na investigação, a sequenciação do genoma da ervilha vai potenciar a melhoria da variedade de leguminosas em grão.

A ervilha, o feijão e as lentilhas, leguminosas que começaram a ser cultivadas há cerca de dez mil anos na Mesopotâmia (região que corresponde ao território actual do Iraque, Koweit e Síria), resultam da adaptação da agricultura às alterações climáticas. Têm a dupla particularidade de fixar o azoto da atmosfera no solo e, portanto, de enriquecer naturalmente a terra e de serem ricas em proteínas, constituindo em parte uma alternativa à carne, cujo consumo tem mais impactos no aquecimento do planeta.

O artigo foi publicado originalmente em Público.

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