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Artigo do arquivo do Agroportal entre 1999 e 2014.

área de milho geneticamente modificado aumenta 60% em 2011
Agricultores Portugueses querem liberdade para escolher tecnologias sustentáveis para a economia e para o ambiente e explicam porquê

por Agroportal
12-10-2011 | 00:00
em Arquivo Agroportal
Tempo De Leitura: 11 mins
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 –  12-10-2011

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área de milho geneticamente modificado aumenta 60% em 2011
Agricultores Portugueses querem liberdade para escolher tecnologias sustent�veis para a economia e para o ambiente e explicam porqu�

Em 2011, a área de milho Bt geneticamente modificado (GM), a �nica cultura transg�nica cultivada em Portugal, aumentou cerca de 60 por cento, de 4.868 para 7.843 hectares. Este aumento significativo reflecte a escolha de muitos agricultores portugueses e a import�ncia da utiliza��o de tecnologias agr�colas inovadoras para a sustentabilidade da produ��o agr�cola nacional e a competitividade internacional.

Um investigador em biotecnologia de plantas e v�rios agricultores explicam os motivos pelos quais a utiliza��o das culturas geneticamente modificadas tem vindo a aumentar a cada ano que passa, ao nível. global, e por que motivos muitos agricultores em Portugal preferem utiliz�-las nos seus campos agr�colas.

A broca � uma praga que ataca severamente os campos de milho em algumas regi�es de Portugal, destruindo e inutilizando grande parte das culturas, apesar das várias aplica��es de insecticida realizadas pelos agricultores para tentar evitar essa destrui��o. O milho Bt � geneticamente modificado para resistir ao ataque da broca, pois as plantas são melhoradas para serem elas pr�prias capazes de combater a broca, o que evita a aplica��o desses insecticidas prejudiciais para o ambiente e para a Saúde das pessoas e consequentemente evita Também a utiliza��o de combust�vel e de m�o-de-obra para os aplicar (Ver imagens � links para download em baixo)

Depoimentos

Pedro Fevereiro
Investigador e professor de biotecnologia vegetal. Presidente do CiB � Centro de Informação de Biotecnologia

Nos próximos anos a agricultura terá de enfrentar as graves consequ�ncias das altera��es clim�ticas no ambiente agr�cola, que provocar�o elevado stress nas culturas. As diferentes variedades de plantas geneticamente modificadas j� dispon�veis a milhões de agricultores em todo o mundo (as quais os agricultores europeus não t�m autoriza��o da União Europeia para cultivar, apesar dos sucessivos pareceres positivos da EFSA � Autoridade Europeia de Seguran�a Alimentar) fazem parte de um conjunto de diferentes tecnologias agr�colas dispon�veis para fazer face �s dificuldades que o futuro trar�.

A produtividade agr�cola tem de aumentar e as culturas GM j� comprovaram, ao nível. global, as suas capacidades para atingirem o máximo do seu potencial, protegendo as plantas e o ambiente contra pragas, doen�as e ervas daninhas, fornecendo em simult�neo produtos seguros e saud�veis para o consumo de pessoas e animais. As vantagens da sua utiliza��o j� estáo a ser sentidas em todo o mundo h� mais de 15 anos. � tempo dos agricultores europeus poderem usufruir delas.

Jo�o Grilo
Agricultor. Dirigente da Aposolo – Associa��o Portuguesa de Mobiliza��o de Conserva��o do Solo.
Gere explora��o agr�cola em Montemor-o-Velho, Coimbra

Em 2006 cultivei 20% da minha área agr�cola com milho Bt e os resultados obtidos superaram as minhas expectativas. Desde ent�o tenho semeado praticamente a totalidade da área com milho Bt, visto estar englobado numa Zona de Produção, onde 20% do milho cultivado � convencional, respeitando assim a regulamentação relativa � área de ref�gio dos insectos.

A minha explora��o agr�cola situa-se no Vale do Mondego, regi�o onde existe uma forte presença da praga (broca – piral e ses�mia) na cultura do milho. Com a utiliza��o dos milhos Bt consigo ter um maior dom�nio da cultura evitando o tratamento com insecticidas e exposi��o aos mesmos e produzir plantas mais saud�veis com menos caules partidos o que facilita em muito a colheita e uma maior rentabilidade na produ��o com melhor qualidade de gr�o (isento de micotoxinas produzidas por fungos que se instalam nas feridas das plantas atacadas pelas larvas de insectos).

Perante as medidas de coexist�ncia exigidas (dist�ncia entre campos de milho, linhas de bordadura, utiliza��o de diferentes classes FAO e sementeiras escalonadas), as Zonas de Produção são a �nica forma de tornar vi�vel o cultivo do milho Bt nas zonas excessivamente parceladas, como � o caso da realidade da maioria das explora��es agr�colas existentes na zona Centro e Norte de Portugal.

Seria de extrema import�ncia serem autorizados mais �eventos� de milho transgúnico, assim como outras culturas geneticamente modificadas na Europa e em Portugal, para que seja poss�vel uma maior sustentabilidade da agricultura Portuguesa.

Ao longo da minha carreira profissional tenho estabelecido alguns contactos com colegas estrangeiros que t�m o privil�gio de ter � sua disposi��o variedades de milho GM mais avan�adas do que as que estáo autorizadas na Europa e com outro tipo de �eventos�, variedades essas que não estamos autorizados a produzir, mas apenas consumir na União Europeia. Vejo neles muita compet�ncia profissional, mas nada superior ao nível. dos agricultores profissionais Portugueses. Trabalhamos todos para o mesmo mercado, mas com regras em que a desigualdade � muito grande e neste tema mais uma vez a Europa e Portugal estáo na �cauda�. Estou convicto que a curto prazo a autoriza��o dessas culturas será inevit�vel.

Jos� Maria Rasquilha
Agricultor. Dirigente da Anpromis – Associa��o Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo.
Gere explora��o agr�cola em Elvas

Cultivo Milho GM desde h� alguns anos, ou seja, desde que a cultura foi autorizada pelos Organismos Oficiais (2005). não tenho d�vidas que o controlo de Pragas (pirale/sesamia) que directamente provocam preju�zos not�rios na cultura, principalmente em zonas de grande intensifica��o da cultura de milho, s� � poss�vel de uma forma eficaz, econ�mica e ambiental, se for feito através de variedades geneticamente modificadas.

Ser� imprescind�vel a aprova��o do cultivo de novas variedades GM na cultura do milho, pois s� assim seremos competitivos com os outros países que j� as cultivam, como � o caso da Argentina, Brasil e EUA. At� porque depois acabamos por importar, para consumo, o produto proveniente dessas mesmas variedades.

Continuar com o milho Bt Mon 810, que deve ter qualquer coisa como cerca de 20 anos de utiliza��o, e que � o único autorizado em solo Nacional, significa ficar estagnado no tempo e no espaço. Existem neste momento actual dezenas de novas variedades GMs de milho e de outras culturas, j� completamente testadas em todo o continente Americano, sendo que a Europa tem obrigatoriamente que autorizar o seu cultivo para se tornar competitiva ao nível. global.

Maria Gabriela Cruz
Agricultora. Presidente da APOSOLO � Associa��o Portuguesa de Mobiliza��o de Conserva��o do Solo.
Gere explora��o agr�cola em Elvas

Cultivo milho Bt por v�rios motivos. Entre eles: tenho maior garantia de produ��o, uma vez que a broca não consegue atacar as plantas e consequentemente, reduzir o n�mero de quilogramas de milho por hectare; gosto de utilizar pr�ticas agr�colas amigas do ambiente e utilizando o milho Bt j� não sou obrigada a fazer duas ou tr�s aplica��es de insecticida nos campos; não aplicando insecticida reduzo a exposi��o dos meus colaboradores a agroqu�micos; não aplicando insecticida reduz-se o consumo de combust�vel no transporte, fabrica��o e aplica��o dos insecticidas, reduzindo assim as emissões de carbono.

Seria muito importante serem autorizadas outras variedades de milho e outras culturas geneticamente modificadas na Europa, nomeadamente as culturas resistentes a herbicidas. O glifosato � um herbicida com muito baixo impacto ambiental, relativamente a herbicidas, por se degradar f�cil e rapidamente no solo. Seria importante Também a aprova��o de outras variedades geneticamente modificadas, como: as tolerantes ao stress h�drico, o que diminuiria o consumo de �gua por parte dos agricultores; as resistentes � salinidade, porque existem regi�es em Portugal onde existe o problema da presença elevada de sal no solo; as resistentes a insectos do solo, o que diminuiria por exemplo a necessidade de tratamento das sementes com fito-f�rmacos.

A não autoriza��o destas culturas GM pela União Europeia terá como consequ�ncias a falta de competitividade por parte dos agricultores europeus em rela��o aos seus cong�neres de outros países, como sejam os agricultores da Am�rica do Norte e do Sul, da China, da �frica do Sul, etc. Ser poss�vel produzir certas culturas, nas quais os agricultores portugueses j� t�m um grande �know-how�, como � o caso da beterraba sacarina e do algod�o teria um impacto muito positivo no rendimento dos agricultores, no ambiente (por serem culturas muito importantes para a rota��o de culturas) e para o mundo rural, ao permitir uma maior taxa de emprego por parte do sector agr�cola.

A aprova��o de culturas GM na Europa seria Também muito importante para a ci�ncia, que sendo estimulada para continuar a investigar e a criar novos eventos de plantas transg�nicas estaria em condi��es de oferecer respostas mais r�pidas e mais eficazes aos problemas que os agricultores enfrentam no controlo de infestantes (ervas daninhas), pragas e doen�as e de stresses ambientais. além disso, permitiria produzir produtos nutritivamente mais ricos para combater car�ncias de nutrientes. Veja-se, por exemplo, o arroz dourado enriquecido em pr�-vitamina A para as popula��es da �sia e de �frica com problemas de cegueira. Permitiria ainda criar produtos mais adequados a consumidores com doen�as, como a diabetes, a intoler�ncia ao gl�ten, etc.


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S�tios

  • CiB – Centro de Informação de Biotecnologia 

  • Dados oficiais da DGADR-MAMAOT sobre as áreas das culturas GM em Portugal no ano de 2011 http://cibpt.files.wordpress.com/2011/10/dadosculturasgm2011-portugal-dgadr.pdf

  • A utiliza��o de OGMs poderia beneficiar a Europa em 443 a 929 milhões de euros por ano – 10 Conclus�es do Encontro Biotecnologia para Agricultura Portuguesa http://cibpt.wordpress.com/2011/07/11/a-utilizacao-de-ogms-poderia-beneficiar-a-europa-em-443-a-929-milhoes-de-euros-por-ano

  • Relatério anual da USDA sobre Agrobiotecnologia em Portugal – 2011 http://gain.fas.usda.gov/Recent%20GAIN%20Publications/AGRICULTURAL%20BIOTECHNOLOGY%20ANNUAL_Lisbon_Portugal_8-5-2011.pdf


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