O presidente da associação das empresas hortofrutícolas do sudoeste alentejano, Luís Mesquita Dias, considerou prioritária a interligação entre as barragens de Alqueva e Santa Clara, para reforçar a disponibilidade de água no setor agrícola.
“A próxima etapa, e aquela por que nos temos batido”, é “a ligação de Monte da Rocha”, no concelho de Ourique, “com Santa Clara”, no concelho de Odemira, afirmou Luís Mesquita Dias à agência Lusa.
O presidente da Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA) defendeu que esta solução poderá fazer chegar à barragem de Santa Clara “cerca de 25 milhões de metros cúbicos de água por ano”.
“Só para ter uma ideia, nos últimos anos, os consumos anuais variaram entre os 15 e os 20 [milhões de metros cúbicos de água]. Portanto, mais do que duplicaremos a água que tivemos nos últimos anos”, sustentou.
Para Luís Mesquita Dias, a ligação entre as barragens de Monte da Rocha e Santa Clara é “talvez, ou quase de certeza, o mais urgente de todos” os projetos defendidos pela associação neste território.
Sobre a construção de uma dessalinizadora, o responsável considerou que “mais cedo ou mais tarde” será um investimento necessário para a região.
“A dessalinizadora não saiu da nossa mesa de trabalho porque continuamos a achar que mais cedo ou mais tarde”, este investimento “vai ser necessário”, defendeu.
Segundo o dirigente, o Governo mostrou-se “disponível para trabalhar nesta ligação” entre Alqueva e Santa Clara, que é uma solução “mais rápida e mais barata do que a dessalinizadora”.
No entanto, acrescentou, “a dessalinizadora, a prazo, será precisa”.
Além da habitação e da água, o responsável revelou que a associação pretende desenvolver na próxima década um conjunto de projetos neste território.
Entre as propostas está “um projeto de sebes e cortinas” na área da biodiversidade, outro destinado à compostagem e um projeto para “a criação e dinamização de comunidades de energia renovável”.
Luís Mesquita Dias estimou que as primeiras comunidades de energia renovável possam estar em funcionamento dentro “de seis meses a um ano”.
A AHSA pretende ainda testar novas soluções de mobilidade, no âmbito de três projetos-piloto ”para reforçar a mobilidade rural e a acessibilidade”.
Na área do emprego está previsto o projeto “Bolsa de Valores”, um mecanismo regional no Alentejo “para articulação de necessidades de mão-de-obra entre a agricultura e outros setores económicos”.
A associação prevê ainda ações destinadas à “integração de migrantes” e iniciativas junto das escolas da região para “desenvolverem programas” e “atrair mais jovens para a agricultura”.















































