A associação representativa de empresas hortofrutícolas do Sudoeste Alentejano prevê construir até 2029 a primeira unidade de alojamento coletivo para 500 trabalhadores temporários, num investimento estimado em cerca de quatro milhões de euros.
O investimento surge no âmbito de um plano da Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA) que prevê a criação de quatro unidades, com capacidade para cerca de dois mil trabalhadores, ao longo dos próximos oito anos.
O projeto, designado ACTTO – Alojamentos Coletivos para Trabalhadores Temporários em Odemira, no distrito de Beja, foi apresentado esta semana num colóquio promovido pela AHSA.
“Cada unidade de alojamento coletivo albergará 500 pessoas” e, nesta fase, a associação está empenhada “em trabalhar com o Governo e com os possíveis investidores” para “construir a primeira unidade”, disse hoje o presidente da AHSA, Luís Mesquita Dias.
Em declarações à agência Lusa, o responsável explicou que, para avançar com este projeto, é necessário encontrar o enquadramento legal para este tipo de unidade de alojamento coletivo.
“Com a legislação, a determinação do local exato, a construção [e] os vários licenciamentos”, a primeira unidade só estará “disponível em 2029”, apontou.
Para tal, sustentou, a associação está a ultimar o plano de viabilidade financeira e operacional do projeto, que pretende apresentar ao Governo a solicitar apoio público.
O Governo “terá de se debruçar sobre [a proposta] e ver que tipo de comparticipação está disponível para dar”, indicou Luís Mesquita Dias, acrescentando que a AHSA pretende solicitar uma comparticipação de 50%, seguindo o modelo adotado em Espanha.
“Há 20 anos, quando a primeira unidade foi construída em Espanha, o Governo espanhol e as autonomias contribuíram com 50% do investimento. 50% é o que nós vamos pedir, seguindo o exemplo de Espanha”, esclareceu.
Sem apoio público, argumentou, “o peso sobre os investidores é de tal forma elevado que é difícil ser conseguido”, tendo em conta que cada unidade ronda “os quatro milhões de euros”.
A intenção de criar uma residência coletiva para trabalhadores temporários na região de Odemira tinha sido anunciada pela associação em 2025, inspirada no modelo espanhol da Residência Tariquejo, em Cartaya, na província de Huelva, região da Andaluzia.
Questionado pela Lusa, Luís Mesquita Dias explicou que se trata de “uma construção definitiva” que funcionará de forma semelhante a uma unidade hoteleira.
O projeto destina-se às empresas de pequena e média dimensão que “não têm espaço, nem músculo financeiro” para construir este tipo de resposta.
Estas empresas irão pagar pela “utilização do alojamento por cada um dos seus trabalhadores”, explicou.
Apesar de ainda não estar definido, o responsável estimou que seja “criada uma cooperativa de empresas agrícolas” para gerir estas unidades.
Com mais de 40 associados e mais de 20 parceiros, a AHSA estimou um volume de negócios de cerca de 500 milhões de euros em 2026.
Segundo a associação, os cerca de 6.000 hectares cultivados no sudoeste alentejano continuam a representar 15% do total das exportações nacionais de frutas, legumes e flores.















































