Um projeto-piloto que aposta em sensores de vigilância e drones com recurso a inteligência artificial para prevenir e combater fogos pretende chegar a um potencial incêndio em 10 minutos, revelou hoje o Governo.
“É uma intervenção mais rápida. Os drones estão aí, a inteligência artificial também e a robótica. Nós temos de utilizar tudo para protegermos a floresta”, disse o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, no final da apresentação do projeto Fire Resist, em Lisboa.
O ministro da Agricultura disse que os meios de combate a incêndio e as autoridades demoram em média 30 minutos a chegar ao local [da ocorrência] e que o projeto-piloto, que vai ser testado na serra do Marão (no norte do país), visa uma intervenção “quase imediata”.
“O objetivo é que sejam poucos minutos, para que o fogo não se alastre. Isto, no fundo, vem ao encontro da nossa estratégia Floresta 2050, onde nós queremos valorizar a floresta”, acrescentou José Manuel Fernandes.
No final da apresentação, no Ministério da Agricultura, o presidente da empresa que promove o projeto, a Drivetel, Pedro Almas, adiantou à agência Lusa que os primeiros testes devem ser realizados daqui um ano, sendo que o projeto prevê a utilização de enxames de drones com capacidade para transportar até 50 quilogramas de líquido retardante e intervir na fase inicial de um potencial incêndio.
“Daqui a um ano, provavelmente, estaremos a fazer os primeiros testes. Neste momento estamos a fechar a calendarização de trabalhos, a matriz de responsabilidades de todas as empresas envolvidas, quer ao nível do setor privado e industrial, quer ao nível científico”, disse Pedro Almas.
Os incêndios vão ser identificados através de torres de vigilância florestal e sensores inteligentes, segundo o responsável. De acordo com Pedro Almas, os sensores recolhem informação para identificar sinais que possam indicar o início de um incêndio, dados que são depois analisados por algoritmos de inteligência artificial para ajudar a distinguir potenciais focos de outros fenómenos, como nevoeiro ou névoa.
“Nós estamos em conversações com a Baladi [Federação Nacional dos Baldios], com a Associação Nacional de Municípios, para perceber que tipo de torres e qual o enquadramento que pretendemos produzir para que o impacto ambiental (…) seja mínimo”, indicou.
Questionado sobre o risco de os drones e as torres serem objeto de ciberataques, Pedro Almas assegurou que o tratamento e a recolha de dados são seguros e não permitem interferências externas.
Este responsável disse ainda que o projeto vai dar prioridade à utilização de energias renováveis, “preferencialmente fotovoltaicas ou turbinas eólicas”, porque em muitos locais onde ocorrem incêndios, neste caso na Serra do Marrão, não há uma rede elétrica que permita ter “os equipamentos constantemente a funcionar”.
O Fire Resist – Inovação Florestal para Territórios Resilientes, Ecológicos e Inteligentes representa um investimento de 9,8 milhões de euros e articula investigação científica, desenvolvimento tecnológico e capacidade industrial para encontrar soluções integradas de prevenção, gestão ativa e valorização do território, segundo a empresa promotora.
A área do projeto abrange cerca de 6.000 hectares de baldios na serra do Marão e a fase de execução, que começou em setembro, terminará em agosto de 2029.
Além da Drivetel, o projeto junta ainda a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), o laboratório colaborativo CoLAB ForestWISE, o centro de investigação Fraunhofer Portugal AWAM e as empresas IMMERA, Fisola, Electroclima e Turnpage.














































