A fileira da cortiça em Portugal mantém a sua confiança no futuro, alicerçada na inovação, na conquista de novos mercados e no compromisso comum entre produção e indústria. Esta mensagem de resiliência marcou o debate “Cortiça: Que Futuro?”, promovido no dia 14 de julho pela UNAC – União da Floresta Mediterrânica, no Auditório da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), em Lisboa, com moderação de Rita Bonacho, da Direção da UNAC.
Apesar da turbulência no mercado da cortiça resultante em grande parte das transformações no consumo global de vinho, os principais atores do setor, presentes no evento, traçaram um roteiro de crescimento e sustentabilidade para a próxima década, reconhecendo a importância de um preço justo pago à produção que, na sua expectativa, deverá voltar a níveis sustentáveis até 2028.
Os participantes convergiram ainda na convicção de que a cortiça dispõe de vantagens competitivas únicas para continuar a liderar o mercado mundial como matéria-prima de excelência, impulsionada pela sua excecional performance ambiental e pelo desenvolvimento de novos segmentos de alto valor acrescentado.
União e Sustentabilidade como Pilares de Confiança
Na sessão de abertura, o Presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, destacou a interdependência de todos os atores da fileira que devem saber trabalhar em conjunto, a partir de uma visão comum que seja partilhada por produtores, indústria e Estado, de forma a ser possível assegurar, a longo prazo, a rentabilidade de todos os elos da cadeia.
Por sua vez Pedro Silveira, Presidente da UNAC, alertou para a perda de rentabilidade dos produtores de cortiça e para o risco de degradação da sustentabilidade económica do montado, defendendo uma valorização mais justa da produção. Embora reconheça o potencial dos mercados voluntários de carbono e de futuros mecanismos de valorização da biodiversidade, Pedro Silveira advertiu que estes instrumentos ainda não estão suficientemente acessíveis aos produtores, pelo que a cortiça deve continuar a ser vista como o principal ativo destes ecossistemas florestais únicos.
Indústria aposta em mercados alternativos e na valorização dos produtos
Em resposta às queixas dos produtores sobre a atual rentabilidade da cortiça a indústria apresentou uma visão focada na criação de valor.
Paulo Américo Oliveira, CEO da Unidade de Negócios da Amorim Florestal, defendeu que a atual redução do consumo de vinho, a nível global, não deve ser encarada como uma ameaça inevitável ao futuro da cortiça. Para este responsável a fileira tem margem para compensar eventuais perdas através da entrada em novos mercados, da valorização dos vedantes naturais e técnicos ou do crescimento em segmentos premium de várias bebidas espirituosas.
Por seu lado o presidente da ViniPortugal, Frederico Falcão, prevê que o consumo de vinho continue a diminuir nos próximos anos, sobretudo na Europa mas, ainda assim, acredita que o crescimento em mercados emergentes poderá compensar parcialmente as perdas nos países tradicionalmente consumidores, identificando novas oportunidades de expansão nos mercados da América Latina e da Ásia.
Para o diretor de Gestão Florestal e Relações Institucionais da DIAM, Joaquim Herreros, a sustentabilidade a longo prazo da fileira da cortiça depende de um equilíbrio estrutural na cadeia de valor, onde todos os intervenientes – da produção à indústria – sejam devidamente compensados. Herreros, que também defende uma forte aposta na valorização dos produtos, manifestou a convicção de que não será possível manter, de forma estrutural e prolongada, um cenário em que um segmento da cadeia não seja compensado pelo seu trabalho e investimento.
Também o presidente da Cork Supply, Jochen Michalsky, defende um aumento do valor da cortiça e dos seus produtos, que deve ser uma prioridade comum à indústria e aos produtores florestais. Michalsky defendeu que pagar mais pela cortiça não significa necessariamente reduzir a rentabilidade das empresas, desde que esse custo esteja associado a matéria-prima de qualidade e a produtos capazes de gerar valor no mercado.
O encerramento do debate foi feito por Nuno Sequeira, do Conselho Diretivo do ICNF que, em representação do Secretário de Estado das Florestas, reafirmou a importância estratégica para Portugal do montado e da fileira da cortiça.
O debate terminou passando a mensagem clara de que a sobrevivência deste setor único no mundo exige resiliência, inovação constante e, sobretudo, uma cooperação estreita entre quem gere a floresta e quem transforma e comercializa a cortiça nos mercados globais.














































