Realizada no Auditório do IAPMEI, a conferência debateu a PAC Pós-2027, as Novas Técnicas Genómicas e as Certificações.
A FNOP realizou no passado dia 27, no Auditório do IAPMEI em Lisboa, a 2.9 edição da Conferência “Construir Valor em Conjunto”. O evento reuniu cerca de 130 profissionais do setor, produtores, técnicos, representantes de organizações de Produtores, administração e agentes da cadeia de valor, numa jornada de reflexão sobre os maiores desafios e as oportunidades que se colocam ao setor hortofrutícola nacional.
A sessão de abertura contou com a intervenção de Domingos dos Santos, Presidente da FNOP, e de Álvaro Mendonça e Moura, Presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), e ficou marcada pela afirmação do papel estratégico das Organizações de Produtores na construção de um setor mais competitivo, coeso e sustentável.

PAC Pós-2027: ameaça ou oportunidade para as Organizações de Produtores?
O primeiro painel, moderado por Joel Vasconcelos (Lusomorango), colocou em debate o impacto do próximo ciclo da Política Agrícola Comum (PAC) nas organizações de produtores. Susana Barradas, do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), apresentou a proposta da Comissão Europeia e a perspetiva nacional; Michele Gentile, da AREFLH (Assembleia das Regiões Europeias Hortofrutícolas), apresentou, face à proposta da Comissão, a posição defendida pelos vários países/regiões membros da AREFLH e Pedro Santos, da CONSULAI, analisou as estratégias de adaptação e posicionamento competitivo disponíveis para as organizações de produtores portuguesas.

O debate evidenciou a necessidade de as organizações se prepararem ativamente para as transformações regulatórias em curso, convertendo os desafios em alavancas de modernização e de reforço da organização setorial.
Apesar das preocupações levantadas em torno da PAC Pós-2027, os intervenientes sublinharam que as propostas atualmente em discussão ainda não permitem antecipar decisões definitivas, nem oferecer certezas quanto ao futuro enquadramento da política agrícola europeia.
Novas Técnicas Genómicas: inovação que cria valor do campo ao consumidor
O segundo painel, moderado por Joana Petiz (SAPO) e enquadrado por Jorge Canhoto, do Centro de Investigação em Biodiversidade (CiB), explorou o potencial das Novas Técnicas Genómicas (NGT) enquanto vetor de criação de valor ao longo de toda a cadeia agroalimentar. Mónica Sobreiro (Clube de Produtores Continente), Pedro Dias (ANSEME) e Luís Correia (Planície Verde) partilharam perspetivas concretas sobre a integração destas tecnologias nas suas operações e sobre o seu impacto na qualidade e resiliência das produções.

O painel sublinhou a importância de enquadrar a inovação genómica num contexto regulatório claro, garantindo condições para que estas tecnologias possam contribuir para a produtividade, sustentabilidade e resiliência da produção agrícola nacional.
Certificações: um caminho para a diferenciação estratégica
O terceiro painel, moderado por Joana Lima (AGROGES) e enquadrado por Luís Mira da Silva (CONSULAI), abordou o papel das certificações enquanto instrumento de diferenciação. Sandra Candeias (DGADR), Ana Caldeira (ASAE) e Jorge Soares (APMA) analisaram os principais esquemas de certificação disponíveis, os respetivos requisitos e o retorno efetivo para os produtores.

Ao longo do debate, foi consensual entre os oradores que as certificações representam não apenas uma resposta às exigências dos distribuidores e consumidores, mas também uma oportunidade real de valorização da produção nacional, tanto nos mercados internos como nos de exportação. Ainda assim, foi igualmente salientado que estes processos implicam custos acrescidos para a produção, num contexto de exigências cada vez mais elevadas. Os intervenientes alertaram também para a proliferação de referenciais privados com requisitos frequentemente redundantes e pontos em comum entre si, defendendo a necessidade de repensar estes modelos de forma a evitar duplicações e encargos desnecessários para os produtores.
Mensagem do Ministro da Agricultura e Mar
Impossibilitado de marcar presença, o Ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, fez-se representar através de uma mensagem em vídeo, na qual destacou o papel central das organizações de produtores, o reconhecimento internacional de Portugal no setor agroalimentar e o compromisso do Governo com a modernização e competitividade do setor hortofrutícola.
“As organizações de produtores assumem um papel absolutamente central — são estruturas fundamentais para reforçar a capacidade negocial dos agricultores, promover escala, concentração de oferta e incentivar a inovação.”
José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Mar
Fonte: FNOP














































