Na passada sexta-feira, 18 de setembro, foi removida mais uma barreira fluvial obsoleta na Ribeira de Perofilho, em Santarém, numa intervenção dedicada à recuperação da conectividade do curso de água e dos habitats associados.
Voltamos ao contacto após o evento porque acreditamos que existe aqui uma história que ultrapassa largamente esta intervenção concreta — e que continua ainda pouco conhecida fora dos meios técnicos em Portugal.
Os rios não são apenas água a deslocar-se entre dois pontos.
A sua integridade depende da circulação de água, sedimentos, nutrientes e organismos ao longo de todo o sistema. Quando sucessivas barreiras interrompem essa continuidade, fragmentam habitats, condicionam a deslocação das espécies e alteram processos naturais essenciais ao funcionamento dos ecossistemas de água doce.
Na Europa, centenas de milhares de barragens, açudes, soleiras e outras pequenas estruturas continuam a fragmentar os rios. Mais de 150.000 são consideradas obsoletas, abandonadas ou sem função atual.
Esta realidade ganhou uma nova relevância com o Regulamento Europeu do Restauro da Natureza, que determina o levantamento das barreiras artificiais e a identificação das que devem ser removidas, dando prioridade às obsoletas, no contexto do objetivo europeu de restaurar pelo menos 25.000 km de rios de fluxo livre até 2030.
É, portanto, uma questão de biodiversidade, mas também de funcionamento dos sistemas de água doce, transporte natural de sedimentos, resiliência dos ecossistemas e adaptação às alterações climáticas.
EM SANTARÉM, O TRABALHO JÁ ESTÁ A ACONTECER
A intervenção realizada no dia 18 de setembro dá continuidade a um trabalho de recuperação fluvial que tem vindo a ser desenvolvido neste território e demonstra que pequenas estruturas podem ser removidas através da cooperação entre sociedade civil, administração pública, entidades técnicas e comunidade científica.
O encontro reuniu representantes de várias entidades, entre as quais Município de Santarém, APA/ARH Tejo e Oeste, ICNF, forças de segurança, academia, organizações ambientais e outros parceiros ligados ao território.
O projeto insere-se no movimento europeu de recuperação de rios apoiado pelo European Open Rivers Programme, que tem vindo a financiar a remoção de barreiras obsoletas como uma das formas mais diretas de restaurar a conectividade dos ecossistemas fluviais.
Fonte: SOS Animal Portugal















































