Regantes do Roxo querem água do Alqueva com preço “mais justo”

Regantes do Roxo querem água do Alqueva com preço “mais justo”

Os regantes beneficiados pelo perímetro de rega do Roxo, no concelho de Aljustrel (Beja), defenderam hoje um “ajustamento” do preço cobrado pela água do Alqueva, por forma a garantir a “rentabilidade” das explorações agrícolas.

Desde 2009 que a albufeira do Roxo, junto a Ervidel, está ligada ao Alqueva, o que garante haver água em quantidade suficiente para o regadio, mas o preço cobrado pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) pode vir a tornar-se “incomportável” e “quase proibitivo” para “grande parte das explorações”, disse o presidente da Associação de Beneficiários do Roxo (ABRoxo), que tem sede em São João de Negrilhos (Aljustrel).

Em declarações à agência Lusa, António Parreira explicou que é cobrado “à entrada da barragem” do Roxo uma verba de “três cêntimos por metro cúbico” de água vinda do Alqueva, mas os associados pagam apenas 2,7 cêntimos no caso da água gravítica (no caso da água fornecida por pressão o custo é maior).

O diferencial entre o preço que a ABRoxo cobra aos associados e o custo real da água fornecida tem sido assumido pela associação, situação que o presidente reconheceu não ser possível manter durante “muito tempo”.

Segundo António Parreira, se os valores cobrados pela EDIA se refletissem na fatura dos agricultores, “o preço da água gravítica, sem energia, teria de ficar muito acima dos cinco cêntimos”.

“O que quer dizer que a água com pressão iria para uma coisa de 10 cêntimos”, acrescentou.

Por tudo isto, o presidente da ABRoxo defendeu ser urgente “arranjar uma solução para que o preço da água seja compatível com o rendimento das culturas e para que a agricultura de regadio [nesta região] seja autossustentável e geradora de emprego e de desenvolvimento social e económico”.

A situação tem motivado diversas reuniões entre associações de regantes, EDIA e Ministério da Agricultura, além de estar em preparação um estudo sobre a questão a apresentar à ministra da tutela, Maria do Céu Antunes.

“Uma das vertentes que esse estudo foca é precisamente a gestão da água do Alqueva, pois entendemos que deve haver uma gestão com grande participação dos agricultores. E foca também a questão do preço dessa água”, adiantou António Parreira.

Inaugurado em 1969, o perímetro de rega do Roxo serve atualmente cerca de 8.000 hectares de terrenos agrícolas no concelho alentejano de Aljustrel.

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