Perto de um terço do território continental português está classificado como área de alto e muito alto risco de incêndio rural. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), estas classes de perigosidade abrangem 30,6% da superfície do Continente.
A informação consta da “Caracterização das áreas de perigosidade de incêndio rural”, divulgada pelo INE, com base na Carta de perigosidade estrutural de incêndio rural 2020-2030, publicada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
De acordo com os dados, 25,4% do território continental apresenta risco muito baixo de incêndio rural, 19,7% risco baixo e 16,5% risco médio. As áreas de risco alto representam 16,4% do território e as de risco muito alto 14,2%.
As regiões Centro e Norte são as que apresentam maior expressão territorial de risco alto e muito alto, com estas classes a abrangerem 50,5% e 50,2% da respetiva superfície. No Algarve, a proporção é de 30,7%.
“Em contraste, no Alentejo, na Península de Setúbal e no Oeste e Vale do Tejo predominavam as áreas classificadas com muito baixa perigosidade correspondendo a 54,8%, 46,4% e 34,7% da superfície regional, respetivamente”, refere o INE.
O Instituto assinala ainda que, na Grande Lisboa, na Península de Setúbal e na Área Metropolitana do Porto, a superfície não classificada em termos de perigosidade era predominante em mais de metade dos municípios, situação que reflete “o elevado grau de urbanização e artificialização do território nestas sub-regiões”.
Nas áreas protegidas, 47,5% da superfície encontra-se em zonas de risco alto e muito alto de incêndio rural.
O relatório indica também que, no território continental classificado com risco alto e muito alto, residem 51.115 pessoas, o equivalente a 0,5% da população. Estas zonas apresentam um índice de envelhecimento superior ao registado no conjunto do Continente: 210,0 pessoas com 65 ou mais anos por cada 100 jovens até aos 14 anos, face a 184,6 no total continental.
O INE refere ainda que 69,3% da população isolada, correspondente a 97.085 pessoas, residia em áreas de elevada perigosidade. Mais de um terço do total, 38,6%, encontrava-se em zonas de risco muito alto. A nível regional, a proporção de população isolada em áreas de risco alto ou muito alto era mais expressiva no Alentejo e no Algarve.
Nas zonas de maior risco de incêndio rural situam-se 1,3% dos edifícios e 0,8% dos alojamentos familiares, sobretudo primeiras habitações.
Quanto aos meios de socorro, a caracterização do INE indica que as corporações de bombeiros estão distribuídas pelo país, embora com maior concentração na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto. Já os estabelecimentos hospitalares concentram-se sobretudo no litoral, em particular nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, acompanhando a distribuição da população.
“Apenas 7 dos 438 (1,6%) corpos de bombeiros e 5 dos 224 (2,3%) estabelecimentos hospitalares do Continente se localizam em áreas classificadas com perigosidade de incêndio rural, sendo residual a presença destes equipamentos em classes de alta e muito alta perigosidade”, sublinha o INE.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































