O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) está a estudar a resistência térmica e acústica da lã de ovelha para isolamento na construção civil, permitindo dar uso às mais de 10 mil toneladas desta fibra natural que não é escoada.
Segundo adiantou hoje o IPB, a investigação científica, que está a ser desenvolvida pelo Grupo de Investigação em Construção Sustentável, pretende testar o nível de resistência térmica deste subproduto, nomeadamente a sua condutividade em várias temperaturas como, por exemplo, em caso de incêndio.
Segundo o investigador Luís Mesquita, a reação da lã de ovelha à temperatura mais elevada é de “carbonização”, criando um “camada” à superfície, o que permite “proteger o seu interior”, ou seja, pouco inflamável, dificultando a propagação do fogo.
“Nós temos que garantir que qualquer produto na construção se mantém seguro durante toda a vida de um edifício e claro que há sempre uma ação acidental, por exemplo um incêndio, para a qual o edifício e os produtos têm de estar preparados e garantir não só resistência ao fogo mas a reação ao fogo”, sublinhou.
O projeto de investigação, que começou há poucos meses e que tem a duração de três anos, encontra outras alternativas às funcionalidades da lã, que antigamente era procurada pela indústria têxtil e agora é acumulada, ano após ano, pelos pastores, após as tosquias, porque deixou de ser vendida ou recolhida.
No ano passado, foram colhidas 11 mil toneladas de lã em todo o país.
Na região, chegou a existir uma lavadoura no Cachão, concelho de Mirandela, mas encerrou, tal como todas as outras no resto do país. Atualmente já não existem fábricas lavadouras deste subproduto da ovelha.
Agora a solução passa por aproveitar esta fibra natural para a construção civil.
De acordo com o investigador, nos sistemas construtivos em madeira, o isolamento interno é feito muitas vezes com lã de rocha ou painel XPS. Mas graças à investigação do IPB, foi possível perceber que a lã de ovelha “oferece a mesma resistência térmica, o mesmo isolamento térmico que os outros materiais alternativos”.
“Valores [de resistência] muito, muito próximos [aos dos outros materiais] e aqui estamos a falar de algo que é uma fibra natural. Temos [lã] dos criadores da região, mas também de todo o país, porque todo o país atravessa exatamente as mesmas dificuldades de escoamento deste produto”, disse.
Além de ser uma mais-valia para os pastores, que assim escoam este subproduto, para a construção civil esta pode também ser uma alternativa mais rentável.
“A lã de rocha também é natural, mas é preciso gastar muita energia elétrica para produzir os painéis. Enquanto a lã de ovelha é algo que vamos ter todos os anos de uma forma disponível, porque todas ovelhas têm de ser tosquiadas”, frisou Luís Mesquita.
Depois de ser estudado o “valor ótimo entre a densidade desse sistema de isolamento e a resistência térmica”, no final do projeto o Grupo de Investigação em Construção Sustentável espera que esta alternativa seja certificada e chegue ao mercado.
“Os construtores podem ver este produto, assim que ele ficar disponível no mercado, como uma solução alternativa aos outros produtos que já existem”, vincou.
O projeto tem como parceiro, além das empresas, a Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Raça Churra Galega Bragançana.













































