O projeto transfronteiriço ATEMPO, que juntou Norte, Galiza e Castela e Leão para defender o território contra emergências e fenómenos extremos, encerrou hoje, no Porto, com balanço positivo e apelos à continuidade.
O projeto, iniciado em 2023, teve como principais ações os 2,3 milhões de euros investidos em equipamentos, a melhoria da proteção “de cerca de 570 mil habitantes das zonas fronteiriças”, o quadro comum de qualificação profissional na área da adaptação territorial e operação de proteção civil, a formação de cerca de meio milhar de operacionais e o reforço de sete infraestruturas de emergência.
Terminou hoje com uma conferência final realizada na Alfândega do Porto, promovida pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e a Junta da Galiza.
Nela, o balanço deixado pelos vários intervenientes foi de um projeto positivo e com um legado de cooperação na prevenção de catástrofes, com muitos a destacarem o papel da preparação para responder melhor quer a incêndios quer a cheias e tempestades.
“Podem chamar-lhe ATEMPO+”, brincou o secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, em referência aos antecedentes do projeto, o ARIEM 112, criado em 2009, e o ARIEM+, de 2015 a 2021.
“O projeto ATEMPO conseguiu precisamente conjugar duas dimensões: instituições que cooperam e pessoas que acreditam que a cooperação faz a diferença. (…) As alterações climáticas continuarão a aumentar a frequência e a intensidade dos eventos extremos”, disse o presidente da CCDR-N, Álvaro Santos.
Segundo este dirigente, o dia de hoje “não deve ser visto como o encerramento”, mas antes “o início de uma nova etapa de cooperação entre os territórios”.
João Manuel Esteves, antigo autarca de Arcos de Valdevez (distrito de Viana do Castelo), disse sentir-se mais próximo da Galiza, com quem o concelho que liderou faz fronteira, do que Lisboa, para explicar que nos territórios raianos partilha-se “cultura, património, paisagens, rios” e pessoas, e os riscos, como incêndios, “não conhecem fronteiras”.
“Temos de prevenir melhor, preparar melhor e responder cada vez mais rápido”, atirou o governante.
O conselheiro da Presidência, Justiça e Desporto da Junta galega, Diego Calvo Pouso, salientou, por sua vez, a forma como esta eurorregião (Norte/Galiza) tem “passado anos a demonstrar que esta forma de trabalhar dá resultados”.
Entre os ganhos operacionais, e de estruturas, conta-se 4,87 milhões de euros de investimento total, dos quais 3,65 milhões foram cofinanciados pelo programa comunitário FEDER.
O ATEMPO trabalhava na antecipação de emergências, com recurso a modelos de inteligência artificial, como incêndios, inundações e acidentes, e na Comunidade Intermunicipal de Alto Minho, por exemplo, permitiu comprar motobombas, geradores, reboques e outros equipamentos.
Já para a GNR, foram adquiridos drones e outros equipamentos de vigilância aérea, com reforço de bases em Castela e Leão, em Espanha, e um posto de comando avançado na Galiza.














































