Pelo menos 1.000 pessoas foram retiradas da região da floresta de Fontainebleau, em França, onde incêndios já queimaram mais de 2.000 hectares, disseram hoje as autoridades.
Mais de 800 bombeiros foram mobilizados para apagar o fogo, que lavra desde domingo, tendo como objetivo conter as chamas até ao final do dia, acrescentaram as autoridades locais.
A floresta de Fontainebleau é uma antiga mata real e reserva de arte que fica próxima de Paris.
“O tempo melhorou um pouco nas últimas horas”, disse o presidente da Câmara de Seine-et-Marne (leste de Paris), Pierre Ory, descrevendo o dia como decisivo, depois de “uma noite difícil para os bombeiros”.
Embora a segunda-feira tenha sido marcada por rajadas de vento, o vento “diminuiu de forma generalizada”, acrescentou Ory.
O fogo “já não se está a alastrar” e “está contido”, mas “agora precisa de ser controlado”, disse o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, ao canal de televisão BFMTV, à margem do desfile do Dia da Bastilha.
Os bombeiros combatem dois grandes incêndios florestais. O primeiro começou ao fim da tarde de domingo, perto da autoestrada A6, principal via de acesso ao sudeste de França, que atravessa a floresta e já consumiu aproximadamente 1.600 hectares.
O segundo começou na tarde de segunda-feira na região de Faisanderie, perto de Fontainebleau, e alastrou-se por cerca de 450 hectares, depois de ter “queimado uma área considerável durante a noite”, afirmou Ory.
No ar, os quatro aviões Canadair e helicópteros, mobilizados desde segunda-feira, retomaram já as operações, interrompidas durante a noite. Tratores foram também utilizados para alargar uma estrada que dá acesso à zona em chamas.
Onde as chamas foram contidas, o fogo deixou um cenário de devastação: árvores carbonizadas, solo coberto de fuligem e vegetação desaparecida. Mas pequenos focos de incêndio reacenderam-se por toda a região, alimentados pelo vento.
Além das significativas variações de altitude que dificultam o trabalho dos bombeiros, “a natureza do solo” facilita a reacendimento, disse o autarca.
Este incêndio, que atinge o pulmão verde de Paris, um refúgio de biodiversidade excecional, é um dos três maiores a atingir a metade norte do país nos últimos 20 anos. A icónica floresta de Fontainebleau abrange aproximadamente 25.000 hectares, a 60 quilómetros a sudeste de Paris, e recebe mais de 15 milhões de visitantes por ano.
Na noite de segunda-feira, Nuñez anunciou a detenção de dois suspeitos. Segundo fonte próxima da investigação, um dos dois suspeitos, um jovem de 18 anos, foi detido com um isqueiro e as mãos cobertas de fuligem.
Nenhuma região está a salvo destes incêndios de verão em França. Os incêndios florestais foram controlados na segunda-feira em Cap Fréhel, na Bretanha (oeste de França), e em Lozère (sudeste de França).
Esta manhã, 26 departamentos franceses, da região de Paris ao sudeste de França, estavam sob o nível máximo de alerta de onda de calor, de acordo com o instituto de meteorologia francesa Météo-France, apesar da diminuição da intensidade desta última onda de calor.
O sistema de alerta francês tem quatro níveis: verde, amarelo, laranja e vermelho (o mais elevado).
“O fim desta onda de calor não é esperado antes de quinta-feira em todo o país, e possivelmente ainda mais tarde nas regiões mediterrânicas”, sublinhou a Météo-France.















































