A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) é a primeira do país a ter um plano estratégico de mitigação das alterações climáticas, apresentado, hoje, que contará com ações nas escolas, junto dos empresários e na agricultura.
“São os nossos comportamentos que têm de mudar para nos adaptarmos às alterações climáticas, conseguirmos continuar a viver, ou seja, termos um equilíbrio entre aquilo que são as alterações climáticas e aquilo que é o desenvolvimento económico, mas também a nossa cultura”, sublinhou o presidente da CIM-TTM, Pedro Lima.
O Plano de Ação Climática divide-se em duas partes, mitigação e adaptação. No que toca à mitigação, são apontadas medidas de diminuição de consumo de produtos derivados de petróleo, e no que toca à adaptação, o objetivo é atuar na gestão da água e na prevenção de incêndios.
Segundo o presidente desta comunidade intermunicipal, que abrange os municípios de Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Mogadouro, Miranda do Douro, Vinhais, Vimioso e Vila Flor, é preciso sensibilizar e mudar comportamentos, desde logo com várias ações de debate e consciencialização nas escolas, mas também junto dos empresários agrícolas.
“Pegando na temática dos incêndios, não podemos continuar a ter comportamentos negligentes, não podemos continuar a ter comportamentos como se as alterações climáticas não existissem e os incêndios eram a mesma coisa que há 15 ou 20 anos. Outro exemplo, temos que saber respeitar a água, temos de saber poupar água, temos de ter comportamentos muito diferenciados”, frisou o autarca.
Este plano teve por base um estudo prévio, que permitiu concluir que, apesar de a região não ser grande emissora de gás efeito de estufa, comparativamente a grandes centros urbanos, essa emissão está associada aos transportes e à agricultura, nomeadamente uso de maquinaria agrícola.
“O que tem maior peso nas emissões de gases de efeito estufa são os produtos derivados de petróleo, gasolina, gasóleo, ou seja, reduzir para termos outras alternativas”, esclareceu Ruben Duarte, da Biz Future, empresa responsável pelo plano, sublinhando que uma das soluções passa pela mobilidade elétrica, mas também pela mobilidade mais ativa, andar mais a pé.
No que diz respeito a estratégias agrícolas, além de ter de haver uma adaptação nas culturas plantadas, o plano recomenda a instalação de painéis fotovoltaicos em edifícios, mas também maquinaria com melhor classe energética.
Uma vez que a maioria dos agricultores da região tem uma idade superior a 50 anos, Ruben Duarte reconhece que será um “trabalho difícil” de mudança de mentalidades, mas que deve ser feito, bem como, investimento nos transportes públicos, para se tornarem mais eficientes, na região e em todo o país. “Sem investimento na questão dos transportes é impossível mudar o paradigma”, afirmou.
O Plano de Ação Climática apresentado, hoje, na albufeira do Azibo, Macedo de Cavaleiros, conta com um financiamento de 370 mil euros, do programa NORTE 2030.
A vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte para a área do Ambiente, Gabriela Leite, revelou que a CCDR-N também já lançou, na semana passada, um Plano Regional de Ação Climática, que tem em conta os planos dos municípios.















































