Os custos dos agricultores com os fatores de produção têm aumentado, nalguns casos “mais de 50%”, devido ao conflito entre EUA e Irão, sendo necessários “apoios extraordinários” para o setor, defendeu o presidente de uma associação alentejana.
Em entrevista enviada à agência Lusa, no âmbito da 42.ª edição da feira agropecuária Ovibeja, o presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, indicou que “desde o princípio de março, o gasóleo agrícola já subiu 60 cêntimos e os fertilizantes, em média, mais 30%”.
“Sendo que, para alguns, o seu preço já aumentou mais de 50%. Isto para não falar dos agroquímicos que também irão aumentar”, acrescentou o dirigente agrícola.
Para Rui Garrido, algumas das medidas do Governo, “nomeadamente, um apoio de 10 cêntimos ao litro de gasóleo, o que representa menos de um quinto do seu aumento”, acabam por ser “manifestamente insuficientes”.
“Tanto mais, se compararmos com os nossos vizinhos espanhóis, que vão ter uma ajuda direta de 30 cêntimos por litro de combustível e uma ajuda equivalente para a aquisição de fertilizantes”, frisou.
Esta situação faz com que se produza “com custos mais elevados, mas com preços de venda que não poderão ser superiores, havendo uma concorrência desleal”, reforçou.
“Trata-se de uma situação muito extraordinária, que terá que ter apoios extraordinários em tempo oportuno”, apontou.
Na entrevista enviada à Lusa, Rui Garrido criticou ainda o desenvolvimento da ‘Estratégia Água que Une’, considerando que, “um ano após a sua apresentação, pouca coisa foi feita”.
Neste âmbito, o presidente da ACOS defendeu que as pequenas barragens a sul do Baixo Alentejo a construir “também sirvam para pequenos regadios de apoio à pecuária”.
O dirigente disse que a interligação das bacias do Tejo e do Guadiana é “fundamental” para a região, lamentando que o seu estudo esteja previsto “lá para as calendas gregas”.
Com tema central ‘Vinho à prova’, a 42.ª edição da feira agropecuária Ovibeja arranca na quarta-feira, pelas 11:00, numa cerimónia com a presença do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes.
Organizado pela ACOS – Associação de Agricultores do Sul, o certame decorre até 03 de maio no Parque de Feiras e Exposições Manuel Castro e Brito, em Beja.
Com cerca de 1.000 expositores representativos de todos os setores de atividade, a Ovibeja tem este ano como região convidada as Terras de Trás-os-Montes.
Tal como nos anos anteriores, a pecuária volta a ter forte expressão na “grande feira do Sul”, com a presença de cerca de 400 exemplares de diversas raças autóctones.
A feira conta com o ‘Espaço Aprender Mais’, dinamizado pela ACOS + e diferentes parceiros, dirigido aos mais novos, e que integra uma Quinta Pedagógica, com várias iniciativas e a presença de animais da quinta, além de uma horta e “muitas surpresas com tarefas ligadas ao campo e à ruralidade”.
Provas equestres e mostras de cães são outros destaques na Ovibeja, que conta com a exposição e venda de produtos agroalimentares, artesanato, máquinas e equipamentos agrícolas, stands institucionais e animação de rua.
A “banda sonora” do evento inclui atuações de Os Vizinhos e DJ João Melgueira (quarta-feira), Nininho Vaz Maia e DJ Ana Isabel Arroja (quinta-feira), Mariza e DJ Diego Miranda (sexta-feira), e Átoa e Kura (sábado), a partir das 23:00.
O programa da Ovibeja inclui a atuação de grupos de música e cantares regionais, dança, eventos culturais, com destaque para o tradicional Encontro do Cante, no sábado, com “mais de 600 cantadores da diáspora provenientes da zona da grande Lisboa”.
A gastronomia está presente em vários espaços da feira, da zona dos restaurantes de carnes certificadas, a uma tenda gastronómica com opções de produtos regionais, bares de petiscos, ‘street food’ e venda de produtos regionais.
Para comprar bilhetes, acompanhar a programação ou localizar os espaços do evento, a organização da Ovibeja criou uma aplicação para telemóveis (‘app’).
















































