Greve motoristas. CAP aconselha agricultores a fazer reservas

Greve motoristas. CAP aconselha agricultores a fazer reservas

A Confederação de Agricultores de Portugal (CAP) apela ao setor que se “precavenha e faça reservas de combustível para evitar percalços de última hora”. O conselho surge na sequência do novo pré-aviso de greve dos camionistas de matérias perigosas.

“Não conhecemos os efeitos de uma greve às horas extraordinárias nem que efeito isso tem no abastecimento”, sustenta o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa.

Na última paralisação, as medidas do Governo, com serviços mínimos e requisição civil, permitiram, juntamente com as reservas dos agricultores, amenizar o impacto da greve. Contudo, desta vez, “desconhece-se o impacto” que o protesto possa vir a ter.

Setembro é mês de colheitas e, por isso, “a preocupação é o trabalho dos agricultores, porque já estarão em pleno as vindimas e toda a área de colheita de uva para vinho pode ficar afetada”, explica Eduardo Oliveira e Sousa, lembrando que, por exemplo, “o setor do tomate, que também vai estar em colheita nessa altura, precisa de três tipos de combustível diferentes: para as máquinas que fazem a colheita no campo, para o camião que transporta para as fábricas e para a fábrica que faz a laboração do produto”.

“Como neste ciclo não há frio, os produtos não podem ficar à espera. Por isso, as pessoas têm de se precaver para haver combustível para colher, transportar e para as fábricas não pararem”, destaca o responsável.

O presidente da CAP lembra ainda que na última greve as coisas correram bem, mas que agora pode haver contornos diferentes.

O Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas já avisou que vai apresentar um pré-aviso de greve ao trabalho suplementar, feriados e fins de semana. O anúncio formal deverá acontecer às 13h00 desta quarta-feira, em conferência de imprensa.

Isto, porque na reunião de terça-feira entre o sindicato e o Governo não foi possível chegar a acordo.

“A Antram não quis evitar uma possível greve por 50 euros”, afirmou o porta-voz do sindicato, Pardal Henriques, aos jornalistas. “A única coisa que pedimos à Antram foi que as horas extraordinárias fossem pagas”, adiantou.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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