Gilberto Igrejas vai ser o novo presidente do IVDP

Gilberto Igrejas vai ser o novo presidente do IVDP

[Fonte: Público]

Gilberto Igrejas, professor de Genética na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai ser o novo presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), substituindo no cargo Manuel Cabral. A nomeação deverá ocorrer dentro de dias, mas a escolha do Ministério da Agricultura já está feita.

Havia três candidatos ao lugar: Gilberto Igrejas, Mário Sousa (antigo presidente do Centro de Estudos Vitivinícolas do Douro) e Manuel Cabral. O primeiro é militante do PS, o segundo também é próximo do PS e o terceiro situa-se na órbita do PSD. Passaram todos no crivo da Cresap – Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública, mas, segundo disse ao PÚBLICO um responsável governamental, a entrevista do actual presidente do IVDP, Manuel Cabral, “foi uma desilusão”.

Com base nesta avaliação, tão subjectiva como política, a escolha ficou reduzida a Mário Sousa e Gilberto Igrejas. A opção acabou por recair neste professor, apesar de ser o único dos três que não tem qualquer ligação ao sector dos vinhos, a não ser o facto de ser duriense (Vila Real). Contra Mário Sousa pesou o facto de ser um dirigente demasiado cordato, estimado por toda a gente mas sem grande carisma como líder.

Além de licenciado em Biologia-Geologia (1993), Gilberto Igrejas é mestre em Recursos Genéticos e Melhoramento de Espécies Agrícolas e Florestais (1997) e doutorado (2001) em Genética e Biotecnologia pela UTAD, tendo desenvolvido trabalho de investigação no Institut National de la Recherche Agronomique (Clermont-Ferrand) em França.

Em 2002, “fez uma pós-graduação em Medicina Legal no Instituto Nacional de Medicina Legal – Delegação do Porto e Faculdade de Medicina da Universidade do Porto”. Actualmente, além de professor no departamento de genética da UTAD, é coordenador do Grupo de Fenómica Funcional e Proteómica e membro integrado da UCIBIO-REQUIMTE, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e “desenvolve trabalho de investigação centrado na utilização de ferramentas ómicas, em particular da genómica e proteómica, ao nível da genética molecular e biotecnologia de diversas espécies vegetais, animais e microbianas”.

De acordo com o seu currículo, “tem publicados mais de 130 artigos, 12 capítulos em livros, 18 comunicações orais por convite, 40 comunicações orais, cerca de 250 comunicações em reuniões científicas, 11 publicações no GeneBank, 8 publicações na Uniprot, 14 registos no MLST, 13 artigos em revistas técnicas e científicas e 10 séries pedagógicas”.

Apesar da extensão do seu currículo, Gilberto Igrejas é um professor sem grande visibilidade na UTAD e completamente desconhecido no mundo dos vinhos. Colegas na universidade transmontana salientam tratar-se de um académico com grande “ambição política” e muito activo na militância socialista.

No IVDP vai encontrar, como vice-presidente, outro professor da UTAD, Carlos Pires, este ligado ao CDS. Com esta dupla, sai reforçado o papel daquela universidade num sector onde chegou a ser muito relevante, tanto ao nível da viticultura como da enologia. A aposta em Gilberto Igrejas, para além da questão partidária, pode representar uma aposta do Governo em aproximar mais o IVDP da região do Douro, reforçando a sua ligação ao novo Centro de Excelência da Vinha e do Vinho.

O actual presidente do IVDP, Manuel Cabral, já estava a estreitar essa ligação com a UTAD, a quem encomendou a realização de um estudo sobre o rumo estratégico para os vinhos do Douro. O estudo está pronto e aponta vários caminhos para resolver o maior problema regional: a distorção existente entre o custo real de produção de uvas para DOC Douro e o preço, abaixo do custo, a que são pagas, em resultado de um desequilíbrio entre a oferta e a procura, o que tem levado ao empobrecimento dos produtores e à degradação da imagem dos vinhos do Douro.

O diagnóstico está feito, mas colocar em prática as recomendações do estudo exige um presidente do IVDP com peso político, conhecimento e coragem. Manuel Cabral tinha conhecimento, mas nunca teve peso político e também nunca se distinguiu pela coragem de enfrentar os interesses instalados, preferindo sempre a diplomacia e o conforto da representação institucional. Por seu lado, Gilberto Igrejas conta com o apoio político do actual Governo, mas, em contrapartida, não tem qualquer experiência no sector.

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