Fogos repetem erros de 2017

Fogos repetem erros de 2017

[Fonte: Expresso]

Presidente da Federação dos Bombeiros de Castelo Branco assegura “pouco ter sido aprendido” com os incêndios de há dois anos. Problemas com indemnizações dificultam mobilização de máquinas de rasto

Falhas na mobilização de máquinas de rasto, aldeias evacuadas e dificuldades na alimentação dos bombeiros que combatem as chamas entre Vila de Rei e Mação. As lições dos fogos de 2017 não foram aprendidas, desabafam ao Expresso alguns dos bombeiros envolvidos no combate às chamas.

A tarde vai ser de muito trabalho, entre Vila de Rei e Mação. O fogo que desde a manhã começou a ceder aos esforços dos mais de mil bombeiros mobilizados, teima em não se extinguir e reacendeu em vários locais. A situação é agravada por alterações súbitas dos ventos, que se prevê se mantenham até o final da tarde.

Nesta altura o fogo tem três frentes, “duas delas resolvidas”. Porém, “a que progride ao longo da EN-348, entre Sernadas e Maxieira não está a ceder”, explicam os bombeiros.

Todos os cenários estão agora dependentes da evolução dos ventos. Há já um alerta da estação meteorológica de Badajoz, em Espanha, prevenindo “mudanças de vento em altitude com origem sudoeste e, mais alto, para noroeste”. Foi esta mudança de vento que reativou várias frentes de fogo, pouco depois do meio dia e meia, com as chamas a atingirem o Carvoeiro, no concelho de Mação.

Mário Marques, climatologista e especialista em riscos, aponta para ventos “variáveis, ajudados pela orografia e pela temperatura do fogo que lhes dá velocidade, como aconteceu em Pedrogão”.

É uma dificuldade que “obriga ao reposicionamento dos meios e que se vai sentir com maior intensidade até ao final da tarde”, adiantou o comandante das operações da Proteção Civil.

O fogo encaminha-se para a área ardida em 2017 e “a existência de uma mata regenerada, com alguns lameiros e arvores mais verdes, pode travar o ímpeto às chamas”, explica o investigador Paulo Fernandes que tem estado a acompanhar a situação no Laboratório de Fogos da Universidade de Trás-os-Montes.

Mesmo assim, acrescenta, “não é seguro que pare. Ainda há ali muito material lenhoso e que não foi retirado depois dos fogos de 2017”, antecipa o presidente da Federação de Bombeiros de Castelo Branco. José Neves lembra que o distrito regista “humidades relativas de menos de 20%, e isso é dramático.

Aumentam as críticas e as dificuldades

No terreno sucedem-se as críticas e as dificuldades. A primeira, apontada pelo presidente da Câmara de Oleiros, passou pela “dificuldade em mobilizar máquinas de rasto. Alguns operadores recusaram sair devido ao sucedido em 2017”, disse Fernando Jorge. Em causa a recusa de indemnizar a família de um trabalhador da Câmara de Oleiros, de 50 anos, que morreu quando combatia um incêndio deflagrado naquele concelho do distrito de Castelo Branco, em outubro de 2017.

O presidente da Federação dos Bombeiros de Castelo Branco reconhece as complicações, José Neves, considera que “pouco foi apreendido dos incêndios de 2017. Há muito combate mas falta prevenção”, desabafou o operacional que dá o exemplo das aldeias evacuadas, como sucedeu na Maxieira e Vale das Vacas. “Continuar a evacuar aldeias mostra que não aprendemos a proteger estes aglomerados populacionais”.

As primeiras máquinas, enviadas pelas Forças Armadas, começaram a operar, apenas, ao nascer do dia.

Também na alimentação houve falhas e só depois das primeiras críticas entrou em funcionamento a cozinha do Exército mobilizada para o local, com capacidade para servir 600 refeições para uma força de combate que é o dobro.

A Proteção Civil pediu à Agência Europeia de Fogos, Effis, imagens da região dos incêndios que já terão consumido mais de 8500 hectares de floresta, segundo estimativas preliminares da UTAD.

Há ainda a registar 20 feridos, oito dos quais bombeiros. Apenas uma das vítimas, um civil, se encontra em estado grave. Foi internado na unidade de queimados do Hospital de São José, em Lisboa

PAULO NOVAIS/LUSA

AMADEU ARAÚJO

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