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árvores floresta por do sol

Floresta europeia em 2025: mais área e diversidade, mais pressões

por Florestas.pt
09-04-2026 | 17:52
em Últimas, Notícias florestas, Blogs
Tempo De Leitura: 11 mins
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A floresta continua a expandir-se na Europa, mas o ritmo de crescimento desacelerou, revela o novo relatório sobre o estado da floresta europeia em 2025. O documento indica também um crescendo de pressões relacionadas com o clima, que têm de ser incorporadas no planeamento e gestão florestal.

A Europa tinha 232,3 milhões de hectares de floresta em 2025 (35,4% do território), mais do que os 230,1 milhões hectares em 2020, e mantinha trajetos positivos em indicadores relevantes, como a quantidade de madeira em crescimento e a conservação de recursos genéticos.

Os dados são revelados pelo relatório State of Europe’s Forests 2025 (SoEF 2025), uma publicação de referência do Instituto Europeu da Floresta (EFI), com apoio da UNECE e da FAO (Organização das Nações Unidas), divulgada a 27 de março de 2026.

Com informação recolhida em 45 países, o relatório traça um retrato da floresta europeia em 2025 e, apesar de destacar progressos, indica riscos crescentes, sobretudo decorrentes dos efeitos das alterações climáticas, que justificam a necessidade de reforçar a gestão adaptativa, a diversificação estrutural das florestas e o planeamento baseado no risco.

Apesar de partilhar tendências relevantes sobre o estado das florestas na Europa, há vários indicadores sem dados para 2025 e outros que não se encontram harmonizados nos países signatários, apontando a necessidade de mais e melhor informação, baseada nos mesmos padrões, para que se possa conhecer –decidir e gerir – a floresta europeia.

Dimensão e composição da floresta europeia em 2025 

A área de floresta continuou a crescer entre 2020 e 2025, ano em que totalizava 232 milhões de hectares (35,4% do território dos 45 países participantes), embora o ritmo de expansão seja mais modesto do que em períodos anteriores. Para este crescimento contribuíram principalmente países como a Turquia e a França, com aumentos de áreas florestais de 585 mil e 447 mil hectares.

Portugal reportou 3,36 milhões de hectares de floresta em 2025, o equivalente a 36,4% do território, uma extensão superior aos 3,33 milhões indicados em 2020 e aos 3,31 milhões de hectares referidos em 2015 (área similar à do 6º Inventário Florestal Nacional – IFN6, que reportava à condição da floresta portuguesa em 2015).

Com mais biomassa, o contributo das florestas europeias para o armazenamento de carbono também aumentou, passando de 15081 para 15396 megatoneladas entre 2020 e 2025. Em média, de 2010 a 2025, mais 106 megatoneladas foram armazenadas anualmente. Este crescimento médio não é, contudo, homogéneo por toda a Europa: o sul e sudoeste têm, inclusive, reduzido o seu stock de carbono, com evidências crescentes de que os fenómenos meteorológicos extremos e as épocas de incêndios mais prolongadas causam perdas esporádicas, mas significativas, no carbono guardado na biomassa florestal, mesmo quando as tendências de longo prazo permanecem positivas.

95,4% das florestas europeias estão classificadas como seminaturais (áreas florestais que não são plantações nem florestas primárias ou sem indícios de intervenção humana) e as plantações florestais representam apenas 2,4% (5,3 milhões de hectares pela Europa). Estas percentagens médias integram, contudo, realidades nacionais muito diferentes: na Irlanda e na Bélgica mais de metade das florestas são reportadas como plantações, enquanto em Portugal não chegam a 25% e em Espanha pouco passam os 5%. As florestas sem intervenção humana totalizam ainda menos: 2,2%. Em Portugal não chegam a 1%: apenas 25 mil hectares.

Em média, 170 milhões de hectares da floresta europeia (cerca de 74%) mantêm-se por regeneração natural ou expansão natural. A reflorestação ou regeneração por plantação e sementeira é responsável pelos restantes 26%, embora em vários países – incluindo Bélgica, Chéquia, Dinamarca, Irlanda, Islândia, Países Baixos, Polónia e Portugal – mais de 60% da floresta dependa de plantação ou sementeira.

Os povoamentos florestais de coníferas são predominantes (43%), seguidos por povoamentos de folhosas (40%) – formação que mais cresceu nos últimos cinco anos – e as áreas de floresta mista representavam 17%.

A diversidade de espécies de árvores aumentou nos últimos 15 anos e as zonas florestais com presença de duas ou mais espécies representam quase 70% da floresta europeia em 2025. Os restantes 30% correspondem a povoamentos florestais com uma só espécie, principalmente coníferas, embora esta realidade difira consoante as regiões.

As espécies arbóreas presentes são maioritariamente nativas: é assim em 96,3% da área de floresta europeia em 2025, o que deixa apenas 3,7% da área florestal para as espécies introduzidas. Entre as exóticas mais importantes estão:

  • Abeto-de-Douglas (Pseudotsuga menziesii), que ocupa cerca de 0,6 milhões de hectares, principalmente na Europa do centro e noroeste;
  • Espruce-de-Sitka (Picea sitchensis) que, juntamente com o espruce-da-Noruega (Picea abies) introduzido em novas zonas, ocupa 0,4 milhões de hectares, no norte e centro oeste europeu;
  • Pinus contorta e outros pinheiros (Pinus spp.), que ocupam pouco mais de 1,3 milhões de hectares;

Eucaliptos (Eucalyptus spp.), que ocupam cerca de 1,6 milhões de hectares, principalmente no sudoeste da Europa.

Quanto à propriedade, 51,2% é pública e 48,8% privada (dados de 2020), percentagens distantes da portuguesa, que reporta 91,9% de propriedade florestal privada (mais do que o indicado para 2010). Ainda assim, 65% das florestas europeias estão acessíveis ao público, incluindo para atividades recreativas.

Proteção formal e conservação da floresta 

As áreas de floresta europeia protegida totalizavam 50,4 milhões de hectares (26,4% da área florestal), uma extensão que, entre 2020 e 2025, se ampliou em cerca de 635 mil hectares (mais 183 mil hectares por ano), um ritmo inferior ao aumento registado entre 1990 e 2020.

Nestas áreas a gestão encontra-se orientada a dois objetivos principais:

  • Conservação da biodiversidade: 32,2 milhões de hectares (16,9% da área florestal), que incluem desde reservas integrais até zonas com gestão ativa orientada para conservação;
  • Conservação da paisagem e de elementos naturais: 18,1 milhões de hectares (9,5% da área florestal).

Em Portugal, 19% e 0,3% das florestas sob proteção estão orientados a estes objetivos, respetivamente.

Fora das áreas formalmente protegidas, a gestão florestal também pode incluir objetivos de conservação do solo, da água e de outros serviços do ecossistema. Este é um objetivo assumido em cerca de 40% da floresta europeia em 2025 e, embora esta área tenha aumentado, boa parte destas funções de proteção está integrada em florestas gerida com múltiplas funções.

Adicionalmente, existem florestas geridas para a proteção de infraestruturas e de recursos naturais (localizadas principalmente em áreas montanhosas), que representam 2% e outros 3,9% são prioritariamente geridas com objetivos recreativos.

Entre os indicadores analisados pelo SoEF 2025 que se relacionam com a conservação, destacam-se ainda:

Conservação de recursos genéticos arbóreos – aumentou ao longo das últimas décadas, passando de 495 populações pertencentes a 53 espécies, em 1990, para 5177 populações de 116 espécies em 2025 (em 36 países europeus).

Madeira morta: a quantidade de madeira morta é um indicador relevante da biodiversidade vegetal – habitat para milhares de espécies e suporte de importantes cadeiras alimentares – e tem vindo a aumentar em todas as regiões europeias. Práticas de gestão mais próximas da natureza e maior eficácia das políticas de conservação podem estar a contribuir para este aumento, que pode também estar associado a perturbações mais frequentes, resultado dos efeitos das alterações climáticas.

Índice Comum de Aves Florestais – tem-se mantido relativamente estável e, embora 8% abaixo do valor de referência (valor de 1980), aumentou 3% entre 2020 e 2025. Refira-se que este Índice tem por base a monitorização de 34 espécies de aves comuns na floresta, consideradas bioindicadores sensíveis às alterações ambientais (gestão florestal, fragmentação de habitat, alterações climáticas, entre outros).
Vitalidade e fragilidades das florestas

A floresta europeia em 2025 reflete um equilíbrio frágil entre algumas melhorias de longo prazo, incluindo alguns indicadores sobre poluição, e novas pressões associadas às alterações climáticas, incluindo secas, ondas de calor, pragas e eventos meteorológicos extremos.

A poluição atmosférica tem diminuído desde a década de 90, refletindo-se numa redução dos poluentes que afetam os solos florestais e condicionam a saúde das árvores. O SoEF 2025 destaca a redução observada na deposição de enxofre, que confirma a recuperação contínua da acidificação dos solos, e refere também como positiva – embora menos expressiva – a diminuição de azoto.

Apesar destas melhorias, persistem valores elevados em vários poluentes e nutrientes – incluindo azoto e ozono troposférico (poluente secundário, nocivo para a vegetação, formado ao nível do solo a partir de óxidos de azoto e compostos orgânicos voláteis), que permanece em nível críticos e faz aumentar o stress das árvores e a sua vulnerabilidade a outras pressões, como as pragas e doenças.

A perda da folhagem das árvores, outro indicador direto de stress ambiental, manteve-se estável em mais de metade (54,1%) das parcelas florestais avaliadas entre 2010 e 2024 e melhorou em 10,3%, mas piorou em 35,6% dos casos. Em 2024, das mais de 100 mil árvores acompanhadas, 31,1% apresentavam perdas moderadas ou severas de folhas, uma percentagem acima da recomendável. Embora nem todos os países tenham dados sobre este fenómeno, os níveis mais elevados de desfolha foram identificados em zonas florestais francesas, búlgaras e outras localizadas em várias partes da Europa central. As principais causas são ataques de insetos, seca e fungos.

Os danos verificados nas florestas resultam de múltiplos agentes, alguns deles interligados, e são um indicador crítico da capacidade de resiliência dos ecossistemas florestais. Entre eles, o relatório sobre o estado da floresta europeia em 2025 destaca:

Incêndios, mais preocupantes na região mediterrânica, com maior duração das condições propícias a incêndios, ondas de calor e condições extremas mais frequentes.

Tempestades com ventos fortes e nevões, mais preocupantes na Europa central (que também tem sido particularmente afetada por ataques de insetos).

Insetos e doenças, com os danos dos insetos a triplicarem desde 2000, impulsionados por invernos mais curtos, secas prologadas e aumento de escaravelhos que escavam galerias nos troncos, interrompendo a circulação dos nutrientes de que as árvores necessitam para viver.
Passagem e alimentação de animais selvagens.

Portugal é o país que reporta mais área de floresta danificada (33,8% da sua floresta em 2020), com 27,7% desta área afetada por pragas e doenças, bastante mais do que a extensão danificada por incêndios.

Madeira em crescimento supera cortes, mas está mais pressionada  

O volume total de madeira na floresta europeia em 2025 era de 38,3 mil milhões m3, registando um aumento de apenas 0,3% desde 2020 – um ritmo bastante mais lento do que os quase 13% das três décadas anteriores. Em termos de densidade, o volume de madeira corresponde em média a 165 m³ por hectare, variando entre 261 m³ por hectare na região centro e este da Europa e 89 m³ por hectare no Sudoeste. Portugal integra o grupo de países com densidades mais baixas.

A grande maioria (cerca de 79%) do stock lenhoso europeu localiza-se em florestas destinadas ao fornecimento de madeira e encontra-se:

No centro este da Europa: 30,4%
No centro oeste europeu: 29,6%
No Norte: 25%

Em Portugal 2263 mil hectares (mais de 67% da floresta) correspondem a áreas de fornecimento de madeira. 

A nível europeu, continua a haver mais madeira em crescimento do que madeira em exploração. Em média, os cortes anuais correspondem a cerca de 81% do aumento líquido anual de madeira, indicando que a relação crescimento/corte se mantém sustentável.

Ainda assim, a taxa de corte tem aumentado a um ritmo superior ao da madeira em crescimento e parte deste aumento pode estar a ser feito por razões sanitárias (mais madeira afetada por pragas, por exemplo), devido a estragos provocados por fenómenos climáticos (salvados de madeira tombada por tempestades ou queimada por incêndios) e pela necessidade de renovar povoamentos envelhecidos em algumas regiões.

No que respeita à madeira, a chamada rolaria (madeira em toros) continua a ser a principal produção do sector florestal europeu: cerca de 626 milhões de metros cúbicos por ano. As florestas do norte e centro da Europa mantêm-se como as suas principais zonas de origem: Suécia, Finlândia, Alemanha, França e Polónia representam, em conjunto, 50% da produção total europeia de rolaria, com um volume combinado de 313 milhões de metros cúbicos.

Valor da floresta europeia 

O sector florestal (incluindo silvicultura e indústria de base florestal) contribuiu com 113,3 mil milhões de euros para a economia europeia em 2020 (não são disponibilizados números de 2025), representando 0,83% do PIB, ou seja, do valor total gerado nas economias da Europa. Embora em termos absolutos o valor tenha aumentado e seja superior aos 106,8 mil milhões de euros registados em 2000, o seu crescimento tem sido inferior ao da economia, o que diminui o contributo relativo deste sector nas contas europeias.

Esta representatividade média (de 0,83% do PIB) é bastante inferior à que a floresta assume nas economias da Letónia, Estónia, Finlândia, Bósnia e Herzegovina e Lituânia, onde representava entre 2,2% e 5,2% do PIB. Em Portugal, tal como na Suécia, Eslováquia, Eslovénia, Áustria, Polónia e Roménia o contributo do sector florestal situa-se também acima da média: entre 1,6% e 2% do PIB.

Parte da produção do sector florestal seguia para o exterior, mantendo a Europa como uma exportadora líquida. Embora o volume exportado tenha estagnado entre 2015 e 2020, o valor das exportações rendeu aos cofres europeus 11,1 mil milhões de euros em 2020.

Os produtos florestais não lenhosos e os serviços dos ecossistemas traziam também um contributo revelante à floresta, embora muitos países não reportem dados sobre estas categorias:

Nos produtos não lenhosos, pelos cerca de 20 países que reportam dados, apurou-se um total de 6,5 mil milhões de euros e a maioria do valor vem dos produtos de origem vegetal (mais do dobro do valor dos produtos de origem animal), com as plantas ornamentais a contabilizar mais de um terço e os alimentos a ascenderem a perto de 1,5 mil milhões de euros.

Nos serviços dos ecossistemas, reportados ainda por menos países (apenas 14), o valor é de 1,2 mil milhões de euros e destacavam-se as vertentes de “serviços sociais” e de “serviços da biosfera” (por exemplo, relacionados com a conservação da natureza), que se encontram integrados em soluções de pagamento por serviços dos ecossistemas. Contudo, estes valores mantem-se algo obscuros devido a diferentes definições para produtos e serviços mercantilizados e sem mercado e para diferentes padrões de comercialização.

Mais de 2,4 milhões de pessoas estavam empregadas no sector florestal, incluindo silvicultura e indústria, em 2020. Embora representativo, o emprego florestal decresceu 25% desde 2000.

O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.

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