A conversa digital sobre o setor do vinho em Portugal é dominada por eventos e enoturismo, com pouca menção direta a marcas, conclui uma análise da Buzzmonitor ao período entre junho e setembro de 2026.
A análise abrangeu 5.308 publicações em perfis abertos e revela que o vinho branco é a categoria mais citada e que, nas críticas, sobressai a crise ligada aos excedentes e às dificuldades dos pequenos produtores.
As feiras, festivais e provas são o momento de consumo mais citado (29% das menções), impulsionadas pela promoção das agendas de eventos das câmaras municipais, das comissões vitivinícolas e dos restaurantes, mas também pelo consumidor, que as encara como ocasiões de lazer em família e com amigos. O enoturismo surge em segundo lugar (22,6%), com as vindimas e as visitas a quintas apresentadas pelos produtores como experiências e vividas pelo consumidor como tradição e convívio no campo. Segue-se a categoria de amigos e família (21,9%), com o vinho associado a momentos felizes e de partilha.
Entre as categorias, o vinho branco reúne 10,4% das menções, impulsionado por lançamentos, concursos e sugestões de verão de produtores e restaurantes. Segue-se o vinho tinto (9%), associado a comida de conforto e à restauração mais tradicional, encarado pelo consumidor como o vinho da refeição e da tradição familiar. Os vinhos de reserva, Vinhas Velhas e marcas emblemáticas, como Barca Velha e Pêra-Manca, somam 6,9% das referências, sobretudo em conteúdos de produtores e de imprensa especializada, enquanto os vinhos da região dos Vinhos Verdes surgem em 5,6% das menções, associados ao consumo nos dias de calor.
No balanço do que se elogia e critica no setor do vinho, a tradição, o território e a sustentabilidade lideram os pontos positivos, com 30,8% das menções, seguidos dos sabores, aromas e frescura (21,5%) e da qualidade e dos prémios conquistados por marcas e personalidades (21%). Do lado negativo, o tema mais referido é a crise relacionada com os excedentes e a pressão sobre os produtores (1,8%), seguido de fraudes e processos judiciais de empresas do setor (1,6%) e de menções a vinhos de menor qualidade disponíveis no mercado (1,1%).
O discurso de marca é reduzido, com apenas 6,3% dos posts a citarem insígnias. A mais referida é a Tarelo (0,4%), do Pico, nos Açores, com impacto mediático associado ao enólogo Tiago Macena, que se tornou o primeiro português Master of Wine. Seguem-se a Sogrape (0,3%), mencionada pela imprensa de negócios e pela distribuição, a Rocim (0,3%), sobretudo por comunicação própria, e, com a mesma percentagem, a Casa Santos Lima e a Super Bock, esta última por referências à mistura de vinho com cerveja.
Nos pontos de venda, supermercados e restauração dividem as menções por razões distintas. Os restaurantes, os espaços de delicatessen e as lojas de topo aparecem sobretudo por autopromoção, enquanto, na voz do consumidor, os supermercados (Pingo Doce, Lidl, Continente e Mercadona) são os mais citados, quase sempre ligados a promoções.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































