Uma equipa liderada pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) está a desenvolver um sistema de inteligência artificial (IA) para prever e monitorizar as necessidades hídricas dos olivais. O sistema cruza dados de sensores no terreno, como a humidade do solo e as condições atmosféricas, para recomendar quando e quanta água é ideal libertar pelo sistema gota-a-gota. O agricultor gere tudo numa aplicação do telemóvel ou computador e, mesmo sem instalar sensores, poderá obter recomendações com dados de estações meteorológicas e satélites.
As alterações climáticas e as secas longas têm vindo a afetar as oliveiras, que podem deixar de produzir ou morrer, diminuindo a qualidade e quantidade da azeitona e aumentando o preço do azeite ao consumidor. Com o novo sistema, os agricultores vão poder prever as necessidades, ter planos ótimos de irrigação e também perceber os nutrientes que a árvore precisa, melhorando assim a produção e reduzindo o desperdício de água.

O projeto é coordenado pela investigadora Cecília Coelho, no Centro de Matemática da ECUM, onde conta também com Fernanda Costa, Luís Ferrás, Carolina Ribeiro, Susana Faria, Laid Boudjellal, Beatriz Marques e Virgílio Loureiro. A iniciativa tem como parceiros José Almendra e Rosa Almendra, da Associação de Agricultores do Vale da Vilariça, Bartolomeu Cruz, da empresa Sementinteligente, e Anabela Fernandes, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. O trabalho decorre de 2025 a 2028, sendo financiado em 280 mil euros pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), pela Fundação “la Caixa” e pelos parceiros.

A equipa já recolheu dados atmosféricos e do solo numa exploração em Vilarelhos, no Vale da Vilariça. Os modelos e o software irão ser melhorados com base na experiência dos membros da associação de agricultores. “Quem não quiser comprar os sensores, poderá também utilizar o software, porque vamos instalar uma estação atmosférica local”, diz Cecília Coelho. Os dados recolhidos no terreno, por satélite ou por modelos de IA, serão disponibilizados online. Pretende-se que o sistema possa ser mais tarde implementado noutras zonas de Portugal e em Espanha. O objetivo é tornar a produção olivícola mais eficiente e sustentável, beneficiando os agricultores, as economias locais, os ecossistemas e os consumidores.
Fonte: Uminho















































