Dir. reg. da Agricultura diz à RC que prejuízos dos regantes da Vigia são atenuados pelas culturas permanentes e pelas ajudas diretas (c/som)

Dir. reg. da Agricultura diz à RC que prejuízos dos regantes da Vigia são atenuados pelas culturas permanentes e pelas ajudas diretas (c/som)

[Fonte: Rádio Campanário] José Godinho Calado, diretor regional de Agricultura e Pescas do Alentejo, falou aos microfones da RC sobre a situação da Barragem da Vigia (Redondo), afirmando que a restrição de água já “estava prevista” e não prevendo que resulte em grandes prejuízos para os beneficiários da obra da Vigia.

A nível regional, aponta, “tínhamos a zona do Alto Sado com bastantes limitações e tínhamos a zona da Vigia e do Caia em Elvas com algumas limitações”.

A Vigia “beneficia já do grande empreendimento do Alqueva […] mas que não será para aquela área irrigável, o suficiente”.

Com o novo bloco de rega “vamos ter a Vigia mais confortável, neste momento ainda não o temos”
José Godinho Calado

O novo programa de regadio, que contempla a construção do Bloco de Reguengos de Monsaraz que vai servir vários concelhos da zona, incluindo Redondo, “vai permitir abastecer em maior quantidade a Barragem da Vigia, e aí eventualmente teremos essa situação mais satisfeita”, uma vez que a barragem tem uma “área de captação muito limitada e não temos linhas de água de caudal permanente”.

Quando se verifica fraca precipitação, e se a barragem “não tiver um reabastecimento, toda a área irrigável tem que diminuir, ou a água disponível para as culturas”, aponta.

Foi a situação verificada, sabendo “de início a quantidade disponível”, a Associação de Beneficiários da Obra da Vigia “diminuiu a quantidade de água a fornecer […] a algumas culturas permanentes”. Por outro lado, foram diminuídas “culturas que consomem muito mais água, como o milho”.

No que concerne a prejuízos previstos com a diminuição de área cultivada, o diretor regional aponta estar convencido que não serão grandes, uma vez que não foi feito o investimento, mas sim diminuída a área cultivada.

Nas culturas permanentes como o olival e a vinha, que “em condições de sequeiro produzem menos”, “não sabemos se a produção vai decrescer muito”, mas afirma que “poderá haver uma quebra na produção de azeitona naquela zona, mas não será muito grande, porque os calores do verão não têm sido muito intensos”.

“Não sabemos se a produção vai decrescer muito”
José Godinho Calado

Nas culturas anuais, “houve uma redução e essas pessoas não fazem a colheita do milho”, por exemplo, mas nestes casos “não fizeram custo”, embora o tivessem querido fazer para ter lucro.

Avança ainda que à partida, “em termos das políticas agrícolas”, estão garantidas aos produtores e agricultores, as chamadas “ajudas diretas” que atenuarão quaisquer impactos.

Questionado se o racionamento de água e consequente diminuição da área se verificará nos próximos anos, até estar reforçada a ligação a Alqueva com o Bloco de Reguengos de Monsaraz, José Godinho Calado declara: “não sabemos o que vai ocorrer no próximo ano agrícola, no próximo ano civil”, podendo vir a verificar-se ao longo dos meses de outono e inverno, níveis de precipitação que alterem toda a situação.

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