Destruição da Amazónia e das florestas tropicais ameaça sobrevivência da Humanidade

Destruição da Amazónia e das florestas tropicais ameaça sobrevivência da Humanidade

A destruição da Amazónia e das restantes florestas tropicais ao longo dos séculos acentuou-se nas últimas décadas e vai comprometer a sobrevivência da espécie humana, alertou esta quinta-feira o botânico Jorge Paiva.

“As pessoas a quererem respirar e a não terem oxigénio”, disse, em declarações à agência Lusa, o professor jubilado da Universidade de Coimbra, que já visitou várias vezes a Amazónia em missões científicas.

Na sua opinião, os últimos incêndios naquela floresta tropical, que tem a maior área localizada no Brasil, estendendo-se ainda por países vizinhos da América do Sul, vieram complicar a necessidade da sua preservação.

A destruição das florestas equatoriais, designadamente na América do Sul, África e Ásia, acelera o aquecimento global, ameaça a biodiversidade e a vida na Terra, incluindo da própria Humanidade.

“Estamos a destruir as maiores fábricas de oxigénio do globo. E, além disso, estamos a destruir os seres vivos que mais absorvem CO2 da atmosfera”, afirmou Jorge Paiva, de 85 anos.

É nessas áreas do planeta que “estão os maiores monstros vegetais” e a espécie humana “não vai conseguir viver sem florestas”.

“É que agora não vai ser uma bactéria”, ou um vírus, como no caso da pneumónica, que matou dezenas de milhares de pessoas na Europa, em 1918 e 1919: “vai ser a falta de oxigénio” a causar possivelmente idênticas tragédias, advertiu.

Citando o paleoantropólogo norte-americano Lee Berger, que descobriu uma nova espécie de australopiteco e de humano, na África do Sul, Jorge Paiva disse que o homem “é provavelmente o animal mais perigoso que já viveu neste planeta”.

Na Amazónia e noutras florestas tropicais, “como há muita luz e muita água, as árvores são enormes”.

“Chegam a ter 120 metros e quase 5.000 toneladas. Ora, uma árvore destas produz mais oxigénio do que todas as árvores do Gerês num ano”, exemplificou.

Em geral, uma árvore, mesmo que seja um carvalho secular da Europa, “produz mais biomassa, produz oxigénio e retira mais CO2 da atmosfera do que um prado inteiro”.

“Não vamos conseguir sobreviver sem florestas”, insistiu o biólogo.

Há mais de 20 anos, sempre em dezembro, Jorge Paiva concebe uma mensagem de Natal e Ano Novo ambientalista, em português e inglês, um postal ilustrado que envia a cientistas, jornalistas, amigos, universidades e outras instituições públicas e privadas de Portugal e outros países em todos os continentes.

Em 2016, defendeu a necessidade de travar a destruição das florestas para impedir o fim da espécie humana no planeta.

“Se continuarmos a derrubar as florestas como temos vindo a fazer, a Terra será uma ‘ilha’ universal, desflorestada, sobreaquecida, poluída, repleta de lixo e sem população humana”, alertava.

Frisando que, por todo o mundo, as florestas são dizimadas “a um ritmo verdadeiramente alarmante e drástico”, Jorge Paiva realçava ainda que, sobretudo nas zonas equatoriais, elas “são ecossistemas de elevadíssima biodiversidade”.

Por exemplo, também na Islândia, no Atlântico Norte, “a floresta foi sendo derrubada, para construção de habitações e embarcações, produção de mobiliário e utensílios, bem como para lenha, acabando por desaparecer quase completamente”, recordava.

O artigo foi publicado originalmente em Correio da Manhã.

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