Combate biológico contra a vespa-das-galhas-do-castanheiro com resultados “promissores”

Combate biológico contra a vespa-das-galhas-do-castanheiro com resultados “promissores”

O projeto “BioPest: Estratégias Integradas de Luta contra Pragas Chave em Espécies de Frutos Secos” revelou que a luta biológica contra a vespa-das-galhas-do-castanheiro (Dryocosmus kuriphilus) no Minho apresenta resultados “promissores” e que “o problema estará resolvido daqui a alguns anos”.

Em comunicado, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), um dos parceiros da iniciativa, informa que os resultados foram avançados no 2º Dia Aberto do Grupo Operacional BioPest no Minho.

A investigação está, desde 2018, a tentar perceber o nível da dispersão e gravidade da praga em castanheiros, assim como das largadas efetuadas e da eficácia dos tratamentos biológicos com o parasitoide Torymus sinensis.

“Estamos a estudar a bioecologia da praga, a perceber como o inseto reage nas condições agroclimáticas na região do Minho e a avaliar a utilização do parasitoide exótico, inseto importado de Itália com a autorização da Autoridade Fitossanitária Nacional, de acordo com o Plano Nacional de Luta contra a vespa-das-galhas-do-castanheiro”, explica a responsável pelo projeto no Minho, a docente e investigadora da Escola Superior Agrária (ESA) do IPVC, Luísa Moura.

Resultados preliminares em detalhe

“O parasitoide instalou-se na região de forma diferente em diferentes soutos, em função das condições climáticas. Verificamos que a percentagem de parasitismo é ainda baixa”, refere a investigadora, admitindo que “não é de estranhar” já que se trata de um inseto exótico que tem que se adaptar. No entanto, as perspetivas “são boas” e Luísa Moura acredita que “dentro de alguns anos o problema poderá estar resolvido”, mas “é preciso continuar a trabalhar”.

Para além do parasitoide exótico, existem parasitoides autóctones, ou seja, insetos que fazem o mesmo trabalho em relação à praga e que existem naturalmente no ecossistema do castanheiro e dos carvalhais.

“O problema aqui é que estes parasitoides autóctones não estão sincronizados com a praga. Enquanto o exótico, utilizado em todo o mundo, tem um ciclo de vida sincronizado com a praga, os autóctones não estão tão sincronizados com a praga. São importantes, mas não são suficientes para, isoladamente, combaterem a vespa-das-galhas-do-castanheiro”, justifica a investigadora, garantindo que se está “no bom caminho”.

O projeto termina em dezembro deste ano, mas a investigadora deixa o alerta para a necessidade de dar seguimento ao trabalho que está a ser desenvolvido.

“Teremos que nos candidatar a novos financiamentos para prosseguir com o trabalho, que é fundamental”, assumiu a investigadora, lembrando que “os produtores estão sem rendimento há muitos anos e a preocupação é muito grande”.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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