O presidente executivo (CEO) do Conta Lá comunicou hoje a sua saída e informou a convocação até final do mês de uma assembleia-geral de acionistas para aprovar o plano de reestruturação, segundo missiva a que Lusa teve acesso.
Num e-mail enviado esta manhã aos trabalhadores, antes de um plenário, Sérgio Figueiredo avançou que “ainda este mês será convocada uma assembleia-geral de acionistas para aprovar o plano de reestruturação e nomear uma nova Comissão de Gestão, que passará a assumir a condução executiva do Conta Lá”.
No final de junho foi noticiado que o canal de televisão, que era transmitido no cabo desde o ano passado, iria recorrer à suspensão temporária dos contratos de trabalho ou redução do horário (‘lay-off’), numa reestruturação para reduzir custos, perante um cenário de salários em atraso.
“Sei que nada disto paga o que vos é devido – e é a essa dívida que a nova Comissão de Gestão deverá responder primeiro. Resta-me somar a essa angústia o peso de saber que se podia ter feito mais. Começar com a confiança de quem nos segue é das sensações mais extraordinárias da realização humana, acabar com a incapacidade de responder ao desespero de quem nos olha à espera de respostas, é uma desgraça que não desejo a ninguém. Tornou-se insuportável viver sem respostas”, refere Sérgio Figueiredo.
“Não é o fim do projeto, é simplesmente o meu fim nele”, acrescenta o jornalista.
Atualmente, o projeto deverá contar com cerca de 100 pessoas, dos quais 40 jornalistas, de acordo com uma fonte da empresa.
“Espero que, com a chegada de novos acionistas, surjam novos líderes, gente de energia renovada e enorme vontade de afirmar um projeto que, depois de religado, terá finalmente os meios que precisa para acelerar investimentos e cumprir o seu propósito – na verdade, novos propósitos que ainda podem torná-lo maior do que foi sonhado”.
“Esta Comissão Executiva, composta por Maurício Ribeiro, por Jorge Santos e por mim próprio, sai de cena no dia em que a assembleia-geral de acionistas aprovar este Plano e a Comissão de Gestão – algo que, devido aos prazos legais e estatutários da empresa, deverá ocorrer no fim deste mês”, sublinha Sérgio Figueiredo, que assume a parte de responsabilidade “nesta hora de tremenda frustração”, que classifica “quase tão pesada quanto a desilusão” que provoca nos trabalhadores.
Na carta, Sérgio Figueiredo relata que entrou no projeto “com a força de quem sonha transformar o mundo” e por um ano tentou mostrar “que é possível conseguir o impossível”.
Contudo, “foram escassos 12 meses, que é tão pouco para o muito que fizemos, mas que ficaram tão pesados e escuros, quando terminam vergados ao peso de um fim”, refere, manifestando-se frustrado por ter chegado “a este ponto sem respostas”.
Apesar do trabalho “extraordinário” com uma “equipa extraordinária”, que “não caiu do céu”, tal não bastou e nunca houve ilusão que “fazer bem seria o suficiente”, diz.
Recorda que disse várias vezes que “a prioridade” era “garantir estabilidade acionista, construir capacidade de gestão e fazer um projeto que nunca ninguém fez”, por esta ordem, lamenta.
Assevera, na carta, que “tudo o que estava ao (…) alcance foi feito para trazer o capital necessário”, salienta.
“Não gastámos mais que o previsto, conseguimos foi menos do que precisávamos”, com “azares e canalhices pelo meio: investimentos contratualizados connosco que nunca chegaram a ser realizados, contratos assinados que não foram cumpridos. Falhei, mas também me falharam. Quando nos falham com a palavra dada, não há gestão danosa: ficam só os danos dos quais nunca mais nos recompusemos”, elenca.
Depois, “na segunda prioridade, nem tudo correu bem na formação de equipas”, uma vez que “pessoas provavelmente certas ocuparam cargos errados”. Isso foi “mais uma agravante de instabilidade para um projeto que já sofria de subcapitalização”, diz.
“Do exercício de transparência que sempre procurei fazer convosco, a partilha da verdade degenerou, nalguns momentos, em fugas de informação que deram origem a notícias falsas e maldosas, que deturparam deliberadamente a nossa realidade”, sublinha Sérgio Figueiredo.
E uma realidade “que já era difícil ficou pior e gerou-se à nossa volta uma crise de confiança que escalou vertiginosamente junto de quem era mais crítico para a nossa viabilidade: fornecedores, investidores, autarcas e a banca”, aponta.
“Virados para o futuro, resta desejar que não falte esse chão na caminhada única que o Conta Lá ainda tem para percorrer”, remata.














































