O cacique Raoni, símbolo mundial da defesa da Amazónia e dos direitos indígenas, lançou hoje duras críticas aos projetos de infraestruturas do atual Governo brasileiro, que classificou como “destrutivos” para a floresta amazónica.
Durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília, Raoni, apesar das críticas, reafirmou o seu apoio à recandidatura do chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva.
“Eu voltarei a apoiar Lula. Não vou apoiar o filho de Bolsonaro. Não vou votar nele, porque eles não pensam bem, não têm noção dos problemas, não compreendem as coisas”, frisou, em declarações à imprensa.
No entanto, o cacique precisou que está aberto ao diálogo com qualquer candidato “forte” com possibilidades de vitória para discutir as reivindicações do seu povo.
Apesar da sua proximidade com Lula da Silva, com quem subiu a rampa do Palácio do Planalto na sua tomada de posse em 2023, Raoni manifestou a sua firme oposição a projetos-chave para a logística do agronegócio que têm ganho espaço na agenda governamental, como a construção de um caminho de ferro na Amazónia brasileira.
Este projeto, denominado “Ferrogão” e originalmente lançado durante o mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022), conta com o apoio do atual Governo, apesar da resistência de povos indígenas e associações ambientalistas.
“Ouvi falar do ‘Ferrogão’ e não aceitei. Por que não aceitei? Porque destrói a natureza, destrói a floresta”, declarou.
Do mesmo modo, questiona a decisão do Governo de aprovar concessões a empresas privadas para a construção de hidrovias em importantes rios da Amazónia, autorizando a dragagem dos mesmos para facilitar o transporte de barcaças.
“Ouvi dizer que Lula tinha autorizado que um rio fosse transformado em hidrovia para transportar grandes quantidades de soja. São coisas que têm vindo a causar problemas à natureza. Nunca aceitei isso”, afirmou.
Posteriormente, o Governo de Lula recuou nessa iniciativa após os protestos de grupos indígenas.
Para o líder indígena, esses projetos representam uma “grande devastação” que acarreta problemas para todos os seres humanos.
Mais de 6 mil indígenas do Brasil estão acampados em Brasília para a 22.ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), numa semana de debates, encontros com autoridades políticas, manifestações e expectativas pelo anúncio de novas terras demarcadas.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas (Apib), a edição deste ano tem como tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, que coloca em perspetiva os desafios das eleições de outubro.
Considerado a principal mobilização dos povos originários brasileiros, o evento iniciou-se no domingo e decorre até sábado.















































