Os produtores de leite portugueses enfrentaram, nos últimos meses, um aumento significativo dos custos de produção, nomeadamente no gasóleo, fertilizantes e rações. Em sentido contrário e comprimindo de forma insustentável as margens, registaram-se descidas no preço do leite pago ao produtor.
Em janeiro, o preço baixou para os produtores no continente. Mais recentemente, verificou-se também a descida no preço pago aos produtores dos Açores, que já operavam com valores extremamente reduzidos, abaixo do continente. Coincidindo com esta situação, assistimos ao regresso de “promoções agressivas”, em que leite de algumas marcas açorianas a preço muito baixo é utilizado como “isco” para atrair consumidores e ganhar vantagem em guerras comerciais.

É particularmente alarmante que esse leite de indústrias açorianas, mesmo com custos acrescidos de transporte, esteja a ser vendido em todo o país a preços muito inferiores ao preço das marcas das cadeias de distribuição.
Estamos a assistir ao regresso de uma realidade que marcou negativamente as últimas duas décadas: a desvalorização do leite nas prateleiras dos supermercados, que contribuiu para colocar o preço pago ao produtor português entre os mais baixos da União Europeia. Já vimos este filme, não correu bem e não queremos repetir.
Numa manifestação que realizámos na Trofa em 2021 com centenas de produtores, denunciámos estas práticas que estavam a matar a produção nacional de leite. Nos meses seguintes, foram colocados fardos de palha à porta de algumas cadeias de distribuição que persistiram nas guerras de preços à custa dos agricultores. Teremos de voltar a essas ações de luta para que a nossa voz seja ouvida?

O leite não pode voltar a ser utilizado como um isco para atrair consumidores, manipulando o mercado, desvalorizando um setor essencial e colocando em risco a sobrevivência dos produtores de todas as regiões de Portugal, tanto no continente como nas ilhas açorianas. Não podemos entrar numa espiral de desvalorização que será uma espiral de pobreza para a agricultura e produção de leite.
Neste momento crítico, lançamos este primeiro alerta e apelamos às indústrias e às cadeias de distribuição para que adotem uma postura responsável e sustentável. Apelamos igualmente ao Governo da República e ao Governo Regional dos Açores para que reforcem a fiscalização destas práticas, que iludem os consumidores e colocam em causa o futuro da produção de leite em Portugal.

Fonte: APROLEP

















































