App climática avisa agricultores como optimizar água e colheitas

App climática avisa agricultores como optimizar água e colheitas

Está a nascer uma ferramenta que alerta os agricultores sobre mudanças climáticas, ajudando-os a optimizar a irrigação das culturas e a antecipar ou adiar colheitas. Chama-se “Climalert” e é coordenada pelo Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho.

O projecto, que inclui uma app e uma plataforma web, junta parceiros de Portugal, Espanha e Alemanha e conta com 845 mil euros da UE até 2021. Vai ser apresentado esta sexta-feira, dia 25, às 16h15, no Mosteiro de Tibães, em Braga, no âmbito do Greenfest, o maior festival nacional de sustentabilidade.

A aplicação de telemóvel, em fase de testes, «permite de forma simples e gráfica que os agricultores registem e analisem tendências do estado da sua cultura e da produtividade ou avaliem ciclos de temperatura, precipitação e intempéries. A par desta app, está a ser concebida uma plataforma web de suporte à tomada de decisão no sector da água, de modo a planear cenários de exploração agrícola e uso hídrico a médio e longo prazo. Quem decide e investe, vê assim as probabilidades mais benéficas para o meio ambiente e para o seu negócio», lê-se num comunicado.

Útil para dirigentes ambientais

«Estamos a casar os interesses dos sectores da agricultura e dos recursos hídricos, o que é difícil, pois a água é muito utilizada na agricultura, mas por vezes devolvida aos ecossistemas de forma contaminada», diz a coordenadora do “Climalert”, Cláudia Pascoal.

A investigadora do CBMA e professora da Escola de Ciências da UMinho espera reduzir riscos e vulnerabilidades daqueles dois sectores: «Este projecto é valioso, pois promove a sustentabilidade com benefícios económicos para agricultores e para os gestores ambientais, que têm de gerir as bacias hidrográficas tendo em conta as alterações climáticas».

Cláudia Pascoal

As ferramentas “Climalert” foram criadas na UMinho, através dos centros de investigação CBMA, Algoritmi e de Sistemas Microeletromecânicos, e estão a ser testadas por stakeholders nos três países do consórcio. A ideia é perceber, por exemplo, «o estado de secura do solo, o acesso a indicadores de água na planta e na atmosfera ou o stock de água nos rios a albufeiras». Através destas aplicações, os agricultores podem antecipar um evento climático em uma ou duas semanas, antecipar ou adiar uma colheita e optimizar o seu sistema de irrigação.

«O utilizador fica mais bem preparado para decisões que privilegiem a sustentabilidade do sistema produtivo e do ecossistema, com claras vantagens financeiras», reforça Cláudia Pascoal. O “Climalert”, acrónimo de “Climate Alert Smart System for Sustainable Water and Agriculture”, envolve ainda o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o Instituto Catalão de Investigação da Água (Espanha) e o Centro de Investigação Ambiental Helmholtz (Alemanha).

Climalert1

Greenfest com vários projectos da UMinho

O Greenfest decorre de 25 a 27 de Outubro, das 10h00 às 20h00, com dezenas de iniciativas presenciais e online sobre o tema “Retoma sustentável no pós-pandemia”. A UMinho marca presença sobretudo através das Escolas de Ciências e de Engenharia.

Esta sexta-feira, além do “Climalert”, há um debate às 19h00 com as professoras Fernanda Cássio e Teresa Lino-Neto, do Departamento de Biologia. No sábado, às 10h30, conhece-se a spin-off SPM Nanosolutions, que trata efluentes têxteis. Prevêm-se ainda intervenções do professor António Vicente, da plataforma Fibrenamics e das jovens empresas Bag 4 Days, BeKoffee e Cerveja Letra, nascidas na UMinho.

Até domingo, há igualmente em exposição “O mundo invisível dos micróbios” e “Contaminantes emergentes e desafios da sociedade”. O Greenfest segue depois de 20 a 22 de novembro para Carcavelos.

O artigo foi publicado originalmente em Revista Frutas Legumes e Flores.

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