Após análise dos números de 2020, DGAV actualiza zona demarcada da Epitrix da batateira

Após análise dos números de 2020, DGAV actualiza zona demarcada da Epitrix da batateira

A DGAV — Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária decidiu voltar a actualizar a zona demarcada da Epitrix da batateira. Esta 14ª actualização surge atendendo aos resultados de 2020. Verificou-se a presença de Epitrix no concelho de Sernancelhe, na região Norte, e nas freguesias de Paderne (Albufeira), Aljezur (Aljezur), União das freguesias de Conceição e Estoi (Faro), Odiáxere (Lagos), São Sebastião (Loulé), Alferce (Monchique), Alvor e Mexilhoeira Grande (Portimão) e União das Freguesias Santa Maria – Santiago (Tavira) na região do Algarve.

Segundo o Despacho Nº1/G/2021, em consequência desta nova demarcação obrigatória, a DGAV, relembra os requisitos que se colocam a partir de agora à circulação de batata aí produzida com destino a áreas isentas, em Portugal ou em outros Estados-membros da União Europeia.

Assim, é obrigatória a aplicação das medidas de protecção fitossanitária preconizadas na Decisão de Execução da Comissão 2012/270/EU e alterações, nomeadamente:

  • Limpeza dos tubérculos (por lavagem ou escovagem) de forma a garantir uma percentagem de terra aderente inferior a 0,1%, oficialmente constatada, nas expedições para zonas isentas;
  • Atestar o cumprimento destas exigências fazendo acompanhar as remessas de um Passaporte Fitossanitário.

E, mais uma vez a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária chama atenção que qualquer veículo utilizado para o transporte dos tubérculos de batata de uma zona demarcada tem de ser descontaminado e limpo de modo adequado antes de sair da zona demarcada.

Também as máquinas utilizadas no manuseamento dos tubérculos de batata, limpeza e acondicionamento, devem ser descontaminados e limpos de maneira adequada após cada utilização.

Nos campos de produção de batata na zona demarcada devem ser:

  • Aplicados produtos fitofarmacêuticos homologados, aos primeiros sinais da praga;
  • Destruídos os restos de cultura com eliminação das zorras e infestantes (potenciais abrigos de hibernação);
  • Eliminadas as infestantes hospedeiras na vizinhança da cultura, após tratamento;
  • Feita rotação com culturas não solanáceas.
Adulto de E. similaris e detalhe da pontuação e pubescência elitral

Pode ler o Despacho Nº1/G/2021 e consultar as novas zonas demarcadas aqui.

A praga

O Epitrix similaris é um pequeno coleóptero crisomelídeo pertencente à família das álticas ou “pulguinhas”, cujas larvas causam estragos nos tubérculos contribuindo para a desvalorização comercial da batata.

É uma espécie exótica de origem norte americana tendo sido identificada pela primeira vez em Portugal em 2008. Outra espécie também identificada foi Epitrix cucumeris a qual apresenta uma morfologia e biologia muito semelhante à espécie anteriormente referida, mas cujos estragos nos tubérculos não são conhecidos.

Na sequência da detecção de Epitrix similaris e Epitrix cucumeris na cultura da batateira em Portugal e com vista a impedir a sua dispersão a zonas da comunidade europeia livres deste organismo através do comércio de batata (consumo ou semente), foi aprovada a Decisão da Comissão 2012/270/UE de 16 de maio sobre medidas de emergência para controlo de Epitrix sp.

Ciclo de vida de E. similaris em batateira

Disseminada essencialmente através de terra

Esta praga, dado o seu ciclo biológico, pode ser disseminada essencialmente através de terra aderente aos tubérculos, pelo que as medidas estabelecidas na decisão para expedição para fora de zonas demarcadas, isto é, para zonas livres do insecto, incidem particularmente na exigência de lavagem, escovagem ou método equivalente que conduza à remoção de terra, cuja tolerância é de 0,1%.

Por forma a controlar a praga no território nacional torna-se ainda necessário aplicar medidas de contenção e/ou erradicação, as quais incluem prospecção e tratamento com produtos fitofarmacêuticos autorizados.

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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