Apoios do Governo à agricultura são “irrisórios, insignificantes e insultuosos” diz CDS

Apoios do Governo à agricultura são “irrisórios, insignificantes e insultuosos” diz CDS

Francisco Rodrigues dos Santos disse que apoios que Governo tem disponibilizado para agricultores afetados por intempéries são “irrisórios, insignificantes e até insultuosos”. Há perdas de 100%.

O líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, disse esta sexta-feira que os apoios que o Governo tem disponibilizado para os agricultores afetados por intempéries são “irrisórios, insignificantes e até insultuosos”.

Verificamos com alguma perplexidade que os apoios que o Governo tem disponibilizado para os agricultores que sofreram estas perdas são irrisórios, insignificantes e até insultuosos”, realçou Francisco Rodrigues dos Santos.

O centrista falava aos jornalistas durante uma visita a locais afetados na quarta-feira pela trovoada e queda de granizo no concelho de Valpaços, no distrito de Vila Real, e que causou prejuízos aos produtores de azeite, vinho ou castanhas.

Numa das plantações visitadas, de olivais e vinhas, com cerca de 12 hectares, na freguesia de Água Revés e Crasto, as perdas aproximam-se dos 100%.

O presidente do CDS aproveitou para criticar a ação do Governo relativamente às intempéries no mês passado, por ter disponibilizado “uma linha de 40 mil euros para apoiar os hectares de produção e colheitas atingidas”.

Segundo os cálculos desse mesmo diploma, prevê-se que os produtores venham a receber 20, 30 ou 50 euros por hectare”, assinalou, lembrando que “há muito a fazer” no apoio ao setor primário.

O líder do CDS referia-se aos apoios dados pelo Governo após uma tempestade de chuva, granizo e vento, que atingiu sobretudo, o Fundão, a Covilhã, Belmonte e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, que dizimaram as culturas de primavera/verão deste ano.

De acordo com a Confederação dos Agricultores de Portugal, o mau tempo causou prejuízos superiores a 20 milhões de euros naquela região.

Para Francisco Rodrigues dos Santos, deve haver “a melhoria dos sistemas de seguros, que são muito caros a nível dos seus prémios e têm franquias muito elevadas, e não são atrativos nem para seguradoras e agricultores”.

Podiam ser assegurados caso tivessem celebrado esses seguros e caso tivessem viabilidade e rentabilidade no acesso aos mesmos. O governo tem de melhorar este sistema e pagar o que deve às seguradoras para estas poderem apresentar melhores condições e oferecer outros termos para seguros de colheitas aos agricultores”, apontou.

E defendeu também que as linhas de crédito devem “ter um período muito mais alargado, com períodos de carência e juros bonificados”.

Estes agricultores que sofreram estas perdas vão ser penalizados em colheitas futuras e têm que recuperar as suas culturas e isso passa por administração de fertilizantes, de fitossanitários e de perdas quase na ordem dos 100% já este ano e no ano seguinte perto desta ordem”, explicou.

Francisco Rodrigues dos Santos sublinhou também que os agricultores “precisam de recorrer a financiamento, injeção de liquidez e choque de tesouraria para recuperar essas mesmas colheitas”.

O mau tempo que se fez sentir ao final da tarde de quarta-feira no concelho de Valpaços, com trovoadas e queda de granizo, causou perdas enormes nas culturas como vinhas, olivais e castanheiros, disse na quinta-feira o presidente da câmara.

Amílcar Almeida explicou que ainda estava a realizar a contabilização dos estragos sentidos naquele setor primário.

E acrescentou que já promoveu uma intervenção junto da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), no sentido de “fazer com que os agricultores continuem a acreditar que este território tem de continuar a ser povoado”.

“Espero bem que o Ministério da Agricultura olhe para esta gente do interior que teimosamente quer continuar a viver neste território”, disse ainda.

O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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