Act4nature. Empresas portuguesas chegam-se à frente em defesa da biodiversidade

Act4nature. Empresas portuguesas chegam-se à frente em defesa da biodiversidade

Qualquer empresa pode aderir ao projeto, independentemente do setor de atividade que integra e da sua dimensão, estando a participação sujeita à subscrição de 10 compromissos comuns.

O Business Council for Sustainable Development (BCSD) Portugal aproveitou esta sexta-feira, 22 de maio, em que se comemora o Dia Internacional da Diversidade Biológica para lançar a iniciativa Act4nature com o objetivo de “mobilizar e incentivar as empresas a proteger, promover e restaurar a biodiversidade e os serviços de ecossistemas, um dos mais importantes desafios que o mundo atualmente enfrenta a par das alterações climáticas”.

Qualquer empresa pode aderir ao projeto, independentemente do setor de atividade que integra e da sua dimensão, estando a participação sujeita à subscrição de 10 compromissos comuns e de um conjunto de compromissos individuais que sejam: específicos, mensuráveis, adicionais, realistas e com um prazo definido, em alinhamento com a atividade que desenvolve”.

“Aderir ao Act4nature Portugal é participar ativamente num momento de viragem para a biodiversidade, capaz de aprimorar o papel crítico que o capital natural deve desempenhar para alcançar sociedades e economias verdadeiramente sustentáveis”, explicou João Meneses, secretário-geral do BCSD Portugal, sublinhando que se trata de uma “call to action urgente às empresas para que assumam compromissos com a biodiversidade, integrando nos seus modelos de negócio ações e soluções para a conservação da diversidade biológica, para o seu restauro, para o uso sustentável dos recursos naturais e para uma distribuição justa e equitativa dos benefícios que resultam desse uso”.

Do conselho consultivo do Act4nature Portugal fazem parte entidades como: ANA Aeroportos de Portugal, EDP, Jerónimo Martins, LIPOR, REN, The Navigator Company, MAAC – Ministério do Ambiente e da Ação Climática, ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, CIP – Confederação Empresarial de Portugal, SPEA – Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a Associação Natureza-Portugal (WWF Portugal), CENSE – Center for Environmental and Sustainability Research da FCT – Faculdade de Ciências e Tecnologia, da UNL – Universidade Nova de Lisboa, Centre for Ecology, Evolution and Environmental Changes (cE3c) da FCUL – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, CIBIO – Research Centre in Biodiversity and Genetic Resources, CIIMAR- Interdisciplinary Centre of Marine and Environmental Research da Universidade do Porto, Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, IST – Instituto Superior Técnico e MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento/Universidade de Évora.

Alinhada com a nova Estratégia de Biodiversidade da UE para 2030, publicada esta semana, esta iniciativa surge num contexto em que estudos científicos alertam que o planeta está a perder biodiversidade a um ritmo sem precedentes, rumo a um ponto sem retorno, frisa o BCSD Portugal — nos últimos 50 anos, as populações de animais selvagens caíram 60%, com cerca de 1 milhão de espécies animais e vegetais em risco de extinção.

“Ao aderirmos ao Act4nature Portugal, estamos a contribuir para aumentar a ambição – individual e coletiva – de prosseguir modelos de desenvolvimento que preservem a biodiversidade, a nível local, nacional e global, tornando a sociedade e os negócios mais resilientes e prósperos”, disse Fernando Frade, diretor corporativo de Ambiente do Grupo Jerónimo Martins, em comunicado. Também Pedro Beja, vice-coordenador científico do CIBIO referiu que “o compromisso das empresas portuguesas com a preservação da biodiversidade e do meio ambiente é essencial para a conservação da natureza”.

Conheça os 10 compromissos comuns da iniciativa Act4nature Portugal:

1. Integrar a biodiversidade na estratégia corporativa, fundamentando a nossa atuação no conhecimento científico disponível;

2. Dialogar com as diferentes partes interessadas sobre as suas expectativas e os nossos impactos, ações e progresso;

3. Avaliar a biodiversidade nas diferentes dimensões relacionadas com a nossa atividade, utilizando indicadores de impacto direto e indireto, de risco e de desempenho. Quando relevantes para a tomada de decisão, avaliar em termos económicos os nossos impactos e a nossa dependência do bom funcionamento dos ecossistemas;

4. Promover a integração progressiva da diversidade biológica nas decisões ao longo das nossas cadeias de valor, desde a produção de matérias-primas naturais até à fase final do ciclo de vida dos produtos, após utilização pelos consumidores;

5. Prioritariamente, prevenir, reduzir e, em última análise, compensar os nossos impactos, visando, caso a caso, a ausência de perda líquida ou até um ganho líquido de biodiversidade nas nossas atividades e áreas geográficas de influência, considerando as necessidades de adaptação dos ecossistemas às alterações climáticas;

6. Dar prioridade ao desenvolvimento de Soluções Baseadas na Natureza, assegurando que estas são implementadas de forma cientificamente fundamentada e benéfica para a biodiversidade, e promovendo a variedade dessas soluções;

7. Integrar a biodiversidade no nosso diálogo com os decisores políticos de forma a fomentar a sua progressiva consideração nas políticas públicas. Quando convidados a fazê-lo, contribuir para as estratégias nacionais de biodiversidade dos países onde operamos;

8. Sensibilizar e formar os nossos colaboradores sobre a biodiversidade e a sua relação com as atividades que desempenham. Promover e encorajar iniciativas de proteção da natureza e dar o devido reconhecimento pelas suas ações e práticas neste domínio;

9. Mobilizar recursos e estabelecer parcerias adequadas para apoiar e monitorizar as nossas ações no terreno;

10. Reportar publicamente a implementação destes compromissos e dos nossos compromissos individuais apresentados.

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O artigo foi publicado originalmente em ECO.

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