Abertura à comunidade do Centro de Experimentação Agrária de Tavira depende de decisão da tutela – DRAP

Abertura à comunidade do Centro de Experimentação Agrária de Tavira depende de decisão da tutela – DRAP

A proposta de um grupo de cidadãos para o Centro de Experimentação Agrária de Tavira (CEAT) acolher atividades comunitárias é uma boa solução para o espaço, mas a decisão final cabe à tutela, disse o diretor regional de Agricultura.

O grupo Cidadãos pelo CEAT apresentou à Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve uma proposta de colaboração para evitar a “degradação” e permitir a “recuperação” da estrutura, localizada numa zona central de Tavira e onde existe uma coleção com 1.000 fruteiras e espécies autóctones algarvias.

O grupo preparou, com técnicos da própria DRAP, “um conjunto de medidas” para dinamizar o centro e evitar uma maior degradação do espaço, como a criação de uma horta urbana ou um centro de divulgação da Dieta Mediterrânica, património imaterial da Humanidade do qual Tavira é uma comunidade representativa.

Entre as propostas estão também a promoção de ações formativas focadas nas “boas práticas ambientais e agrícolas, com especial foco na agricultura biológica”, na “alimentação saudável”, na “defesa e a preservação da biodiversidade” local, na “proteção do ambiente” e redução de “riscos das alterações climáticas”, segundo um comunicado do grupo de cidadãos.

Pedro Monteiro reconheceu que as propostas apresentadas pelo grupo de cidadãos preveem uma utilização aberta à comunidade de parte da área existente no CEAT” e disse que, na qualidade de diretor da DRAP/Algarve, acolhe a proposta com “muito agrado”.

Em declarações à Lusa, aquele responsável mostrou-se “sensibilizado com a preocupação e crescente sensibilidade de diversas entidades, públicas e privadas”, entre as quais o grupo em causa, para “a importância do CEAT” e das “atividades” nele desenvolvidas nos últimos 15 anos.

O diretor regional de Agricultura destacou, sobretudo, “os trabalhos aturados de prospeção, recolha e caracterização das coleções de material vegetal de fruteiras regionais”, algumas únicas no país, mas salientou que “a gestão e decisões sobre a reabilitação e projetos de desenvolvimento futuro a implementar no CEAT competem à tutela”, ou seja, ao Ministério da Agricultura, e à DRAP/Algarve, enquanto entidade gestora do centro.

“Estas, e outras ofertas, poderão eventualmente vir a ser consideradas, se enquadráveis no quadro dos projetos futuros a desenvolver no CEAT, concretamente, a criação, neste espaço privilegiado situado em pleno coração do centro urbano de Tavira (…), de uma quinta de ciência viva dedicada à dieta mediterrânica”, equacionou Pedro Monteiro.

A mesma fonte referiu que esta colaboração, a ser aprovada pela tutela, teria de avançar “sempre mediante protocolo a celebrar para esse efeito entre a DRAP/Algarve e a Câmara de Tavira”, a quem competiria fazer a gestão desse espaço e decidir pela forma de distribuição dos talhões de terreno pelos eventuais interessados.

Pedro Monteiro advertiu que no CEAT, “que é património do Estado”, há “materiais sensíveis”, como o banco de germoplasma vegetal, assim como “edifícios e equipamentos públicos”, pelo que o “acesso e circulação no seu interior têm de ser controlados e feitos em condições de segurança”.

O diretor regional sublinhou ainda que a DRAP já apresentou, “no âmbito da 9ª Reunião da Comissão Regional da Dieta Mediterrânica”, as “linhas gerais do projeto integrado para reabilitação e sustentabilidade futura do Centro de Experimentação Agrária de Tavira.

A iniciativa, considerada “prioritária”, terá de ser precedida da constituição de um “grupo de trabalho alargado” com entidades como a Câmara de Tavira, a Universidade do Algarve, a DRAP, o Turismo do Algarve ou associações de desenvolvimento local.

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