O Presidente da COPA, Massimiliano Giansanti, e o Vice-Presidente da COPA e Presidente da IFA, Francie Gorman, reuniram-se hoje em Dublim com o Primeiro-Ministro irlandês (Taoiseach), Micheál Martin, num momento crucial das negociações sobre a futura Política Agrícola Comum (PAC) e o próximo Quadro Financeiro Plurianual (QFP) da UE, sob a Presidência irlandesa do Conselho.
Durante a reunião, a delegação apresentou formalmente a Declaração de Estocolmo, adotada pelas organizações agrícolas europeias no 12.º Congresso dos Agricultores Europeus em outubro, expondo as suas preocupações e exigências comuns para o futuro da agricultura europeia. Apelaram ao Taoiseach para que transmita a sua mensagem central a todos os Chefes de Estado e de Governo da UE antes do próximo Conselho Europeu: a última oportunidade para a Europa reconstruir a sua agricultura em bases sólidas é agora.
À medida que os líderes da UE se aproximam da definição de uma zona de entendimento (landing zone) comum para o QFP 2028–2034, as organizações agrícolas sublinharam que as suas preocupações fundamentais permanecem sem resposta. A proposta de um corte superior a 20% no orçamento da PAC, ultrapassando os 30% quando a inflação é tida em conta, combinada com a erosão do caráter comum da política, seria simplesmente insustentável para muitas explorações agrícolas e cooperativas em toda a UE. Para além das suas consequências para o setor, tal decisão representaria um retrocesso de vulto no projeto europeu e um erro estratégico histórico num momento em que outras grandes potências mundiais avançam precisamente na direção oposta, reforçando os seus setores estratégicos em vez de os enfraquecer.
Os agricultores e as cooperativas agrícolas europeias apelaram à Presidência irlandesa para que mantenha três garantias fundamentais: preservar uma PAC verdadeiramente comum, com identidade própria e uma governação adequada; assegurar um orçamento dedicado à PAC, no mínimo equivalente ao atual e ajustado à inflação; e traduzir a meta proposta para a despesa rural e a afetação de dois terços dos recursos da revisão intercalar em apoios concretos e blindados (ring-fenced) para os agricultores.
“Agradecemos a oportunidade de nos reunirmos com o Taoiseach neste momento crítico e a sua compreensão dos desafios que a agricultura europeia enfrenta. A nossa mensagem foi clara: a PAC é mais relevante do que nunca. Sondagens recentes do Eurobarómetro mostram que os cidadãos europeus estão preocupados com o custo de vida, incluindo os preços dos alimentos, expressando simultaneamente um forte apoio à PAC. A Europa não se pode dar ao luxo de continuar a perder os seus agricultores se queremos garantir o acesso a alimentos europeus de elevada qualidade e acessíveis. Minar os alicerces de uma política que provou o seu valor ao longo de décadas enviaria uma mensagem perturbadora aos cidadãos europeus e ao resto do mundo. Contamos com a liderança da Irlanda para garantir que os agricultores não pagam o preço destas negociações,” disse o Presidente da COPA, Massimiliano Giansanti.
“Tive hoje a oportunidade de reiterar ao Taoiseach a profunda desolação entre os agricultores irlandeses e os nossos colegas por toda a Europa pelo facto de o quadro negocial (negotiating box) da Presidência irlandesa ter mantido os cortes significativos inicialmente propostos pela Comissão Europeia, que equivalem a uma redução de 22% no orçamento da PAC e se traduzem num corte de 24% nos pagamentos aos agricultores irlandeses. Trata-se de uma enorme desilusão para os agricultores irlandeses e europeus, que sentirão, com razão, que a UE está a virar as costas à agricultura. Num momento tão crítico das negociações, precisamos que a Irlanda se mantenha firme e defenda uma PAC devidamente financiada,” acrescentou o Presidente da IFA e Vice-Presidente da COPA, Francie Gorman.
As organizações agrícolas europeias permanecem totalmente mobilizadas e continuarão a fazer ouvir a sua voz até que seja alcançado um acordo final, garantindo que a mensagem hoje transmitida ao Taoiseach seja também levada à atenção dos Chefes de Estado e de Governo da UE nas próximas reuniões do Conselho Europeu.
Fonte: Copa and Cogeca















































