Do diálogo à ação: as mensagens do 9.º World One Health Congress
Por ocasião do Dia Mundial Uma Só Saúde, a DGAV recupera o trabalho desenvolvido no âmbito da sua participação no 9.º World One Health Congress, realizado de 4 e 7 de setembro em Lisboa, e partilha os primeiros resultados de um exercício participativo dedicado a um dos maiores desafios globais de saúde: a resistência aos antimicrobianos (AMR).
Dos dados à ação
No Congresso, a DGAV promoveu o Breakfast Talk“Turning One Health AMR Commitments into Action and Behavior Change: DGAV’s Case – animal sector’s perspective”, partindo de uma questão central: como transformar evidência científica e compromissos internacionais em decisões, ações concretas e mudanças sustentáveis de comportamento?
A sessão tomou como ponto de partida a experiência portuguesa e, em particular, o contributo da DGAV e do setor da saúde animal para a resposta à AMR.
Sob o mote “Data • Policy • Communication • Action”, a conversa reuniu diferentes perspetivas sobre o percurso entre a produção de conhecimento e a ação. A abertura esteve a cargo de Susana Guedes Pombo, seguindo-se a apresentação da perspetiva da saúde animal e da experiência da DGAV/HUBRAM, por Ines Martins Almeida (DGAV), a abordagem à dimensão política, por Lucas Chambel (Permanent Mission of Portugal to the UN and other International Organizations in Geneva – MNE), e a comunicação, por Teresa Canelhas (INFARMED).
A sessão procurou, assim, percorrer o caminho que liga os dados e a evidência científica à decisão política, à comunicação, à colaboração entre setores e, finalmente, à mudança de comportamentos.
A premissa de partida era simples: a existência de conhecimento científico, de dados e de compromissos políticos não é, por si só, suficiente para produzir mudança. É necessário transformar evidência em prioridades, prioridades em decisões e decisões em ação.
Escutar para construir uma mensagem comum
Mais do que apresentar diferentes perspetivas, a DGAV quis também ouvir e envolver os participantes.
Na componente interativa da sessão, conduzida por Andrea Cara d’Anjo (DGAV) e Xavier Canavilhas (APJPS), os participantes foram desafiados a identificar as mensagens que consideravam mais capazes de mobilizar os decisores para agir contra a resistência aos antimicrobianos e a contribuir para a construção de uma mensagem coletiva.
O exercício explorou quatro dimensões da comunicação: apelo à ação, sentido de urgência, proposta de valor e construção de uma mensagem comum, culminando num pitch coletivo.
As respostas recolhidas foram posteriormente sistematizadas e analisadas, permitindo identificar os principais temas e as mensagens que suscitaram maior adesão.
Os resultados agora divulgados constituem uma análise exploratória e preliminar, mantendo-se no universo de participação todas as respostas recolhidas, incluindo aquelas que, nesta primeira análise, não foi possível associar diretamente a uma categoria temática.
Da reflexão à ação
O exercício evidencia diferentes formas de comunicar a urgência da AMR, mas deixa também uma mensagem particularmente clara: conhecer o problema não chega. É necessário transformar conhecimento em ação.
Entre as mensagens que emergiram destacam-se o impacto da RAM na saúde, o valor da ação para proteger vidas, contribuir para a segurança dos alimentos e reduzir impactos económicos, bem como a necessidade de reforçar a literacia e a capacidade de mobilização da sociedade.
A escolha do Dia Mundial Uma Só Saúde para divulgar este trabalho procura precisamente sublinhar uma das ideias transversais do exercício:
A resistência aos antimicrobianos não pertence a um único setor. A resposta também não pode pertencer.
Saúde animal, saúde humana, sistemas alimentares, ambiente, ciência, políticas públicas e comunicação fazem parte da mesma resposta.
Uma Só Saúde significa transformar conhecimento partilhado em ação partilhada.
Conheça os resultados
👉 Consulte aqui a apresentação com os resultados do exercício
👉 Consulte aqui a apresentação – Vídeo
A DGAV agradece a todos os intervenientes e participantes que contribuíram para este exercício coletivo.
Um agradecimento especial pela análise e comunicação desenvolvidas em colaboração com Alice Matos, Médica Veterinária, mestre em Saúde Publica e Diplomada pelo American College of Veterinary Preventive Medicine (DACVPM)
O artigo foi publicado originalmente em DGAV.














































