- Novo Plano de Ação para a Conservação do Lince-Ibérico reforça a proteção da espécie, a recuperação dos habitats e a criação de condições para a expansão da população em território nacional;
- Portugal conta já com 394 linces-ibéricos, depois de a espécie ter desaparecido do estado selvagem. Publicação do plano coincide com a realização da COP17, na Arménia, onde Portugal defende mais investimento e resultados concretos na recuperação da biodiversidade.
Maria da Graça Carvalho: “Recuperação do lince-ibérico demonstra ser possível inverter perda de biodiversidade. Queremos consolidar sucesso e garantir que continua a recuperar”
O Governo aprovou o novo Plano de Ação para a Conservação do Lince-Ibérico em Portugal (PACLIP 2026-2030), através de despacho publicado esta quarta-feira, 21 de outubro, em Diário da República. O plano reforça as medidas de proteção da espécie, de recuperação dos habitats e de expansão da população em território nacional.
A aprovação ocorre quando decorre, em Erevan, na Arménia, a 17.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), desde segunda-feira. Portugal assinala, assim, a sua participação nesta conferência internacional com uma medida concreta de investimento na conservação da natureza, demonstrando que é possível transformar os compromissos de proteção da biodiversidade em resultados efetivos no terreno.
O novo plano pretende consolidar um dos mais importantes casos de sucesso da conservação da natureza em Portugal. Depois de ter desaparecido do estado selvagem no território nacional, o lince-ibérico regressou e a sua população atingiu 394 indivíduos em 2025, resultado de um esforço continuado de conservação, recuperação dos habitats, conhecimento científico e cooperação entre Portugal e Espanha.
Em 2024, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) alterou a classificação da espécie de “Em Perigo” para “Vulnerável”, reconhecendo os progressos alcançados ao longo dos últimos anos. Apesar desta evolução positiva, a consolidação da população exige a continuidade das medidas de proteção e a redução dos fatores que ainda ameaçam a sua sobrevivência.
“A recuperação do lince-ibérico é um dos melhores exemplos de que é possível inverter a perda de biodiversidade. Uma espécie que desapareceu do nosso território está hoje a recuperar graças ao conhecimento científico, à cooperação e à continuidade do investimento. Queremos consolidar este sucesso e demonstrar que o mesmo caminho pode ser seguido na recuperação de outros ecossistemas e espécies ameaçadas”, salienta a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Reforçar a conservação e criar condições para a expansão da espécie
O PACLIP 2026-2030 estabelece uma nova fase na conservação do lince-ibérico, centrada na consolidação das populações existentes, na melhoria e expansão dos habitats favoráveis e na criação de condições para que a espécie continue a recuperar em território nacional.
Entre as principais medidas previstas destacam-se o reforço da monitorização, a redução dos fatores de mortalidade, nomeadamente os atropelamentos, a recuperação das populações de coelho-bravo, principal presa do lince-ibérico, e a melhoria da conectividade ecológica entre territórios, permitindo a circulação e a expansão natural da espécie.
O plano abrange todo o território continental, com particular incidência nas áreas de ocorrência da população nacional, designadamente no Baixo Alentejo e no Algarve, e nas regiões com potencial para a expansão da espécie, incluindo áreas de ocorrência histórica como a serra da Malcata.
A sua execução será coordenada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em articulação com entidades científicas, organizações ambientais, proprietários rurais e representantes dos setores agrícola e cinegético, reforçando a cooperação necessária à conservação da espécie.
Novos mecanismos de acompanhamento e compensação por danos
Uma das novidades do despacho é a determinação para que o ICNF apresente, até 31 de dezembro de 2026, uma proposta de regime de apoio e compensação por danos associados à presença do lince-ibérico, com o objetivo de prevenir conflitos com proprietários, agricultores e criadores de gado e promover uma maior aceitação da espécie nos territórios onde ocorre.
O plano prevê ainda mecanismos de acompanhamento e avaliação dos resultados, com a apresentação de relatórios semestrais à tutela e uma avaliação intercalar em 2028, que permitirá introduzir eventuais ajustamentos às medidas previstas.
O financiamento global de cinco milhões de euros até 2030 inclui uma dotação anual de 650 mil euros do Fundo Ambiental, destinada à execução das medidas de conservação previstas no plano, e 350 mil euros anuais para a componente de conservação ex situ, no âmbito do protocolo de cooperação celebrado entre o ICNF e a Águas do Algarve.
A publicação em Diário da República do novo PACLIP (que pode ver aqui), em plena COP17, traduz o compromisso de Portugal com uma política de conservação da natureza assente em investimento, cooperação e resultados mensuráveis e demonstra que a recuperação da biodiversidade é possível quando existe continuidade nas medidas de proteção e valorização dos ecossistemas.
Fonte: Ministério do Ambiente e Energia















































