A UPGALL – União dos Produtores Lesados pelos Lobos vem, por este meio, remeter em anexo o documento intitulado «QUEM PROTEGE OS CRIADORES?», dirigido ao Ministério da Agricultura, ao Ministério do Ambiente, ao ICNF e às associações ligadas à conservação do lobo ibérico, dando igualmente conhecimento do seu conteúdo à comunicação social.
Neste documento, apresentamos a nossa posição relativamente às medidas e aos financiamentos que, ao longo dos últimos anos, têm sido sucessivamente anunciados para a conservação do lobo e a prevenção dos ataques aos animais de produção.
São milhões de euros destinados a programas, projetos e iniciativas, enquanto os criadores continuam a denunciar ataques sucessivos, perdas de animais e prejuízos que comprometem a continuidade das suas explorações.
Perante esta realidade, colocamos uma questão que consideramos fundamental: se há tantos anos se insiste nas mesmas soluções, nomeadamente vedações, cães de proteção e outras medidas de prevenção, e os ataques continuam a ocorrer, porque razão se continua a apostar nas mesmas respostas sem demonstrar resultados concretos na proteção dos nossos animais?
Não pretendemos discutir apenas os valores disponibilizados ou a quantidade de projetos desenvolvidos. Queremos saber quantos ataques foram efetivamente evitados e que resultados práticos foram alcançados com os investimentos realizados.
No documento abordamos igualmente as limitações destas medidas em explorações de pastoreio extensivo, as dificuldades associadas às indemnizações, a responsabilidade das entidades competentes e as consequências que esta problemática está a provocar na preservação das nossas raças autóctones.
Destacamos ainda a situação das vezeiras, uma tradição comunitária profundamente enraizada nas nossas serras, que está a ser progressivamente abandonada por criadores que receiam enviar os seus animais para os montes devido aos ataques. Esta realidade não representa apenas um aumento dos custos de produção, mas também a perda de tradições, o abandono de pastagens e a diminuição dos trabalhos de limpeza e manutenção dos caminhos e carreiros, essenciais para a conservação do território.
Não podemos continuar a aceitar que a proteção de uma espécie implique colocar em risco outras espécies, a atividade pecuária e um património cultural transmitido ao longo de gerações.
A UPGALL considera que chegou o momento de exigir responsabilidades e questionar a eficácia das políticas adotadas. Se existem entidades, especialistas, associações e financiamentos destinados à conservação e gestão do lobo, então é legítimo exigir que esse trabalho se traduza também na proteção efetiva dos animais de produção.
Não queremos continuar a receber recomendações para aprender a conviver com os ataques. Queremos medidas que impeçam que estes continuem a acontecer.
Assim, solicitamos ao Sr. Ministro da Agricultura, à Sr.ª Ministra do Ambiente, ao ICNF e às restantes entidades envolvidas que analisem atentamente o documento anexo e apresentem uma resposta fundamentada às questões colocadas, identificando resultados concretos, responsabilidades e medidas capazes de responder às preocupações dos criadores.
À comunicação social, solicitamos a divulgação desta posição institucional, por considerarmos fundamental dar voz a quem vive diariamente esta realidade e alertar a sociedade para as consequências económicas, sociais, ambientais e culturais que dela resultam.
Por fim, e como testemunho da realidade que aqui denunciamos, partilhamos a reportagem emitida pela CMTV no passado dia 18 de outubro de 2026, na qual criadores e representantes de associações relatam, na primeira pessoa, as dificuldades que enfrentam, os prejuízos provocados pelos ataques de lobo e as consequências para a continuidade da atividade pecuária, apresentando igualmente possíveis soluções com base na sua experiência no terreno.
Fonte: UPGALL















































