Um robô humanoide capaz de executar de forma autónoma a polinização híbrida, uma das etapas mais exigentes do melhoramento de culturas, foi apresentado na China. O GEAIR 2.0 combina robótica, inteligência artificial (IA) e biotecnologia para identificar flores, deslocar-se entre as plantas e polinizar sem supervisão humana constante.
O sistema foi desenvolvido por uma equipa do Instituto de Genética e Biologia do Desenvolvimento da Academia Chinesa de Ciências e apresentado na 33.ª edição da Conferência da Indústria de Sementes de Pequim. Segundo os responsáveis pelo desenvolvimento, o robô foi concebido para operar em ambientes agrícolas complexos sem controlo humano contínuo.
Face à versão anterior, que utilizava um único braço flexível, o GEAIR 2.0 passa a trabalhar com dois braços, o que lhe permite manobrar com mais eficiência entre folhas e ramos e adaptar-se a alterações das condições dentro das plantações. A precisão no reconhecimento do estigma, o órgão reprodutor feminino da flor, subiu de 85% para 92,8%, indicam os investigadores.
Na demonstração feita em Pequim, o robô polinizou flores de tomate, com uma mão a segurar um tubo com pólen e a outra a operar uma escova de polinização. Cada polinização foi concluída em menos de 10 segundos e uma única imersão da escova no pólen foi suficiente para cerca de 50 polinizações.
A abordagem assenta também na edição genética: os investigadores criam plantas macho-estéreis com estigmas expostos, o que facilita a identificação e o acesso do robô às estruturas reprodutivas. O conceito, descrito como um “design colaborativo entre culturas e robôs”, foi detalhado num estudo publicado em 2025 na revista Cell, segundo o qual a polinização cruzada automatizada em tomate pode atingir uma eficiência comparável à dos métodos manuais. A equipa estendeu depois a abordagem à soja.
Segundo os investigadores, a automatização da polinização híbrida pode reduzir a necessidade de mão de obra, diminuir os custos de melhoramento genético e aumentar a eficiência na obtenção de híbridos, com os robôs a executar tarefas repetitivas por períodos mais longos e em condições ambientais variáveis. A polinização híbrida é fisicamente exigente e tem, em regra, de ser concluída num curto período de tempo, o que torna a automatização potencialmente útil em operações de melhoramento em larga escala.
O recurso ao melhoramento genético apoiado em IA insere-se no esforço da China para modernizar a agricultura e reforçar a produção alimentar. A produção de grãos do país atingiu um recorde de 715 milhões de toneladas em 2025 e os planos nacionais preveem elevar a capacidade total para cerca de 725 milhões de toneladas até 2030.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































