A The Navigator Company esteve envolvida em 90 projetos apoiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que permitiram já reduzir em praticamente 300 mil toneladas as emissões de CO₂ dos seus complexos industriais. Os seis grandes projetos de descarbonização, que abrangem Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro e Vila Velha de Ródão, representam cerca de 193 milhões de euros, dos quais 76 milhões são cofinanciados pelo PRR. O balanço de quatro anos de trabalho foi apresentado hoje durante a visita do Secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, ao Complexo Industrial de Setúbal.
Entre os novos projetos destacados contam-se, a caldeira de recuperação em Setúbal, o forno de cal a biomassa da Figueira da Foz, a cogeração de Aveiro, a caldeira a biomassa em Vila Velha de Rodão, e as centrais fotovoltaicas em Aveiro, Figueira da Foz e Vila Velha de Rodão.
Com a participação no PRR, a Empresa conseguiu acelerar investimentos estruturantes, mobilizar conhecimento científico e tecnológico e aprofundar a colaboração com empresas, universidades e centros de investigação. Desta colaboração resultam iniciativas orientadas para transformar conhecimento em soluções industriais, reduzir o impacto ambiental das operações e desenvolver novos produtos renováveis, recicláveis e biodegradáveis, capazes de substituir alternativas de origem fóssil.
Descarbonização das operações industriais
Na área da descarbonização, os seis grandes projetos apoiados pelo PRR abrangem os complexos industriais da Navigator em Setúbal, Figueira da Foz, Aveiro e Vila Velha de Ródão. Em conjunto, representam cerca de 193 milhões de euros, dos quais 76 milhões são cofinanciados pelo PRR e uma redução das emissões de Âmbito 1 e 2 estimada em praticamente 300 mil toneladas de CO₂. Para ter dimensão, uma redução de 300 mil toneladas de CO₂ equivale às emissões anuais de cerca de 70 mil automóveis em circulação.
Estas concretizações inserem-se num esforço mais amplo da Navigator em matéria de descarbonização, que não se esgota nos projetos apoiados pelo PRR nem no horizonte temporal deste programa. Exemplo disso é o projeto LK2BM, em Setúbal, que converte o forno de cal para funcionar com biomassa em substituição do gás natural.
Em 2019, a Empresa aprovou o seu Roteiro de Descarbonização, no qual assumiu a ambição de reduzir 86% das emissões em 2035 face ao ano de referência de 2018. Em 2025, apenas sete anos após esse ano de referência, a Navigator já tinha atingido uma redução de 37%. Em 2027, com o contributo dos projetos realizados, essa redução será de 54%, correspondendo a cerca de 415 mil toneladas de CO₂. Desde 2018, o investimento nesta matéria ascende aos 352 milhões de euros.
Para o período entre 2027 e 2035, a Navigator tem já em análise novos projetos de utilização de biomassa e eletrificação, com uma redução adicional prevista de 251 mil toneladas de CO₂.
Além da forte dimensão ambiental, estes projetos assumem igualmente relevância para a competitividade da Empresa. Ao reduzir o consumo de combustíveis fósseis, aumentar a produção de energia renovável para autoconsumo e tornar os processos mais eficientes, a Navigator mitiga também a exposição à volatilidade energética e aos custos associados, reforçando a sua posição numa indústria exportadora que compete diariamente em mercados internacionais exigentes.
“O preço da eletricidade europeia continua largamente indexado ao gás, mesmo quando a maior parte da eletricidade já não é produzida a partir de gás. Não pedimos uma tarifa garantida. Pedimos coerência: contratos de longo prazo acessíveis, ligações à rede em prazos compatíveis com o investimento e um preço que acompanhe o mix de produção que já temos. Sem isso, a eletrificação da indústria será somente um ato de fé”, afirmou António Redondo, CEO da The Navigator Company.
Tratando-se de projetos pioneiros, em que o retorno privado é inferior ao retorno social – traduzido em menos emissões, geração de riqueza local e redução da dependência energética externa –, o apoio público assume-se como importante instrumento de partilha temporária do risco com quem lidera projetos de descarbonização, e não como subsídio indiscriminado.
“Houve sucessivas reprogramações, muitas por falta de execução no setor público, mas não podemos deixar de questionar, num dia como o de hoje, quantos projetos de investimento produtivo verde teríamos realizado se os apoios tivessem sido mais equilibrados entre o público e o privado”, acrescentou o CEO, que recordou aquilo que o Ministro da Economia e da Coesão Territorial descreveu como o “pecado original do PRR, que era ter demasiado dinheiro para o Estado e pouco para as empresas”.
From Fossil to Forest acelera desenvolvimento de novos bioprodutos
A inovação em produtos constitui outra das principais frentes da participação da Navigator no PRR, com destaque para a Agenda Mobilizadora From Fossil to Forest. A Agenda reuniu empresas, universidades e centros de conhecimento com um objetivo claro: desenvolver novas soluções de base celulósica e percorrer todo o caminho necessário para as aproximar do mercado, desde a investigação científica e a validação piloto até à experimentação e integração industrial.
A Agenda envolveu mais de 20 parceiros, um investimento global próximo dos 94 milhões de euros, seis grandes áreas de desenvolvimento e 11 Produtos, Processos e Serviços.
Ao abrigo desta Agenda Mobilizadora foram desenvolvidas, testadas e, em vários casos, validadas à escala industrial novas soluções de base celulósica, incluindo pastas e papéis para embalagem, papéis com propriedades barreira, biocompósitos, sensores em papel e celulose moldada.
No domínio da embalagem e, em particular, da celulose moldada, esta passagem à realidade industrial já aconteceu. No complexo da Navigator em Aveiro, entrou em operação a primeira linha industrial do mundo totalmente integrada com fibra virgem de Eucalyptus globulus, destinada à produção de soluções para take-away e tableware.
A partir desta matéria-prima biológica e nacional, a Navigator está a criar alternativas renováveis a produtos atualmente fabricados a partir de recursos fósseis, nomeadamente os plásticos de uso único.
Um legado de inovação, conhecimento e capacidade industrial
Para além da descarbonização das operações e do desenvolvimento de novos bioprodutos, o envolvimento da Navigator no PRR também abrangeu projetos de digitalização e iniciativas associadas à modernização da atividade florestal. No seu conjunto, os 90 projetos contribuíram para acelerar investimentos, reforçar a colaboração entre empresas e o sistema científico e tecnológico e aproximar a investigação da aplicação industrial.
O legado deste ciclo de investimento traduz-se em instalações industriais mais eficientes e descarbonizadas, novos bioprodutos e tecnologias e um reforço das competências e redes de colaboração. São resultados que criam condições para que a transformação iniciada com o apoio do PRR continue para além do horizonte do próprio programa.
“Raramente um espaço económico se torna líder tecnológico depois de deixar de ser líder industrial. O risco para a Europa, e para Portugal, não é um colapso súbito. É uma erosão silenciosa. Perder uma fábrica é mau. Perder um ecossistema é praticamente irreversível. É por isso que um instrumento como o PRR não deve ser avaliado apenas como despesa pública bem ou mal executada. Deve ser avaliado por aquilo que verdadeiramente decide: se continuamos a ser um país que fabrica”, defendeu António Redondo, lembrando que, em 2005, a União Europeia representava cerca de 24% da indústria transformadora mundial e que hoje esse peso ronda os 17%, enquanto a China passou, no mesmo período, de menos de 10% para cerca de 27%.
Para a Navigator, inovação e sustentabilidade são dimensões indissociáveis da competitividade. A eficiência operacional, a circularidade e a transformação de conhecimento em novas soluções contribuem para reforçar a resiliência do negócio e a capacidade da Empresa para criar valor a longo prazo.
Fonte: The Navigator Company
















































